Detêm quase 60% da economia mundial mas acolhem menos de 9% dos refugiados em todo o mundo, segundo revela um relatório da OXFAM, a confederação internacional de 17 organizações envolvidas no combate à pobreza e injustiças sociais.

Estados Unidos, China, Japão, Alemanha, França e Reino Unido são responsáveis por aproximadamente 57% do PIB mundial, mas apenas albergam 2,1 milhões de refugiados (8,9%). Destes, um terço está em território alemão (cerca de 737 mil pessoas). 

Mas há um reverso nesta realidade. O relatório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados de 2015 indica que 65 milhões de pessoas abandonaram os seus lares por questões ligadas à violência, guerra ou violação dos direitos humanos - os números mais altos de sempre. 40,8 milhões estão deslocadas dentro do próprio país, 3,2 milhões aguardam decisões quanto a pedidos de asilo e 21,3 milhões estão espalhados por diversos países. Ora, de acordo com as recentes conclusões da OXFAM, mais de metade destes últimos - 12 milhões - encontram-se em Estados mais pobres como a Jordânia, Turquia, Palestina, Paquistão, Líbano ou África do Sul. Juntos, perfazem menos de 2% da economia mundial.

É uma crise complexa que requer uma resposta global e coordenada, com os países mais ricos a cumprirem a sua justa parte, ao receberem mais refugiados e fazerem mais para ajudar e protegê-los onde quer que estejam".

Afirmou Mark Goldring, diretor executivo da OXFAM do Reino Unido

O agravamento dos fluxos migratórios deve-se, em grande parte, à guerra na Síria, mas também aos conflitos no Burundi, República Central Africana, Iraque, Nigéria, Sudão do Sul e Iémen. Jordânia e Turquia são os países que mais acolhem, com um total combinado que ultrapassa os 5,5 milhões de refugiados.

Só em 2015, cerca de um milhão de migrantes chegaram à Europa, a esmagadora maioria pelo mar. Desde que foi acordado o programa de relocalização de refugiados da União Europeia, em Setembro, pouco mais de 3 mil pessoas foram recolocadas no espaço de dez meses. A meta passa por recolocar um total de 160 mil refugiados instalados na Grécia e Itália, em dois anos.