A maior crise de refugiados desde o Genocídio em Ruanda, há 20 anos, já fez com que 4.1 milhões de pessoas saíssem da Síria e procurassem asilo noutros países, desde o início da guerra civil, em 2011. Mas, enquanto há nações que têm aberto as fronteiras aos migrantes, outras têm feito pouco para tentar solucionar o problema dos refugiados. E o problema não é só europeu.



O país que tem acolhido mais refugiados desde o início da crise é a Turquia, nação que faz fronteira com a Síria. Dos 1.9 milhões de migrantes que já chegaram ao país, 14% estão alojados em campos de refugiados. Segundo dados da ONU, mais de metade dos migrantes que chegaram à Turquia nos últimos anos tem menos de 17 anos.

No segundo lugar está o Líbano, com 1.1 milhões de refugiados, de acordo com dados avançados pela CNN. É a nação que acolhe o maior número de migrantes per capita. Os refugiados sírios representam 25% da população do país, que conta apenas com 4.4 milhões de habitantes.

Para além destes dois países, a Jordânia também se encontra na linha da frente, tendo acolhido refugiados, não só provenientes da Síria, mas também de outros países, como o Iraque, a Somália e o Sudão. O número de migrantes sírios já atingiu os 629.000. Cerca de 20% destes estão a viver em campos de refugiados.

Apesar do domínio do estado Islâmico no Iraque, e do país estar igualmente sob guerra civil, a proximidade entre os dois países tem feito com que muitos sírios optem por se estabelecerem nas regiões do norte iraquiano, como Irbil e Duhuk, perto da fronteira com a Síria. O país conta já com 249.000 refugiados.

Dentro dos países que colheram mais refugiados está também o Egipto, com mais de 132.000 pessoas de origem síria. No entanto, nenhuma delas está a residir em campos de refugiados.

Alguns dos homens mais ricos do país ofereceram-se para comprar uma ilha para alojar os migrantes, que tencionam chamar “Esperança”.
 

O caso europeu


Muitas notícias têm dado conta da chegada de um número cada vez maior de refugiados sírios a países europeus. Apesar de grande parte dos países estar disposto a acolher alguns refugiados, a Europa está também a colocar algumas restrições para tentar minimizar os impactos

A Grécia tem sido a porta de entrada para a Europa. Já foram registadas 250.000 chegadas à costa do país só este ano, apesar de terem sido feitos apenas 3.545 pedidos de asilo à Grécia, sob o abrigo do tratado da ONU para auxiliar os refugiados. 

O maior número de pedidos de asilo pertence à Alemanha: 98.700. Apesar da solidariedade demonstrada pelo país, a chanceler alemã, Angela Merkel, solicitou a criação de quotas para definir o número de migrantes a acolher por cada nação.

A Suécia está também entre os países mais procurados pelos migrantes, com 64.700 pedidos de asilo. O primeiro-ministro sueco, Stefan Lofven, já veio a público informar que o país vai aceitar “todas as pessoas que têm direito a asilo”.

A França registou já 6.700 pedidos, mas o número pode estar prestes a aumentar, depois do presidente François Hollande ter afirmado que o país estará disposto a acolher 24.000 refugiados nos próximos dois anos. O mesmo deve acontecer no Reino Unido, que apesar de só ter acolhido 7.000 refugiados até ao momento, já se disponibilizou a receber 20.000 nos próximos cinco anos.

A Bulgária está também entre os países com mais pedidos, com 15.000, a Holanda 14.100 e a Áustria 18.600. Espanha já chegou aos 5.500. Portugal recebeu apenas 633 pedidos de asilo, mas já conta com 1.500 refugiados.
 

Restrições à entrada


Contudo, há ainda várias nações que estão a tentar implementar entraves à entrada dos migrantes. Discute-se, esta segunda-feira, em Conselho Europeu, as ações futuras que a Europa vai tomar para controlar o fluxo de refugiados.

A Alemanha afirmou em conselho que pretende acolher um grande número de migrantes, contudo vai reforçar o controlo das fronteiras temporariamente para tentar conter o fluxo de refugiados que entram no país. A Áustria já afirmou que vai tomar as mesmas medidas.

Também esta segunda-feira, o governo francês pediu à Comissão Europeia que as fronteiras na Europa fossem reforçadas.

Um dos países que tem mostrado maior resistência tem sido a Dinamarca, que está na lista dos países que têm acolhido mais refugiados, atingido já os 11.300 pedidos. O país já anunciou que vão ser tomadas medidas para tentar diminuir a entrada de migrantes no país.

“Não podemos simplesmente continuar com o fluxo migratório presente. Esta é uma boa altura para nós para apertar as regras e comunica-las efetivamente”, afirmou Inger Stojber, ministro da imigração.


O mesmo tem-se passado com a Hungria, país que já recebeu 18.800 refugiados. Muitos dos migrantes que chegam à Hungria são convidados a sair e são recebidos pela polícia. Os refugiados são colocados muitas vezes em campos onde aguardam pela permissão para permanecer no país.

Para travar a imigração, o governo mandou erguer uma cerca de arame farpado na fronteira com a Sérvia. Só neste sábado foram detidos cerca de 6.000 migrantes que tentavam passar a fronteira ilegalmente e, esta segunda-feira, já foram registados outros 3.280.

A Hungria já afirmou que vai continuar a controlar as fronteiras até dia 30 de setembro.

Os países de Golfo Persa recusaram-se a participar no tratado da ONU, apesar da proximidade com a Síria e de partilharem a mesma língua. O Kuwait, o Qatar e o Bahrain não estão a receber migrantes sírios e os Emirates Árabes Unidos, o país mais rico da península árabe, só vai receber 250.000 refugiados.

Nos EUA só foram aceites 1.500 refugiados este ano, mas Barack Obama já informou que para o ano o país vai receber até 10.000 migrantes. O Canadá vai dar guarida a outros 10.000.