Nove horas em Brasília, 13:00 em Lisboa, a Câmara dos Deputados iniciou timidamente a sessão. Estavam presentes apenas 68 dos 513 parlamentares. Esta quarta-feira, deverá ser votado um parecer que defende Michel Temer, impedindo que seja suspenso de funções e um eventual julgamento por corrupção seja decidido pelo Supremo Tribunal Federal.

Cerca de duas horas antes dos deputados iniciarem a sessão parlamentar, os protestos saíram às ruas de S. Paulo. Manifestantes ligados ao Movimento dos Sem Teto queimaram pneus, ergueram barricadas e bloquearam três estradas, segundo o relato do site online da Rede Globo, G1.

O Congresso tem que admitir a denúncia", escreveu Guilherme Boulos, líder do movimento, numa rede social".

Apesar da pressão nas ruas, que se admite venha a estender-se às maiores cidades brasileiras, na capital, Brasília, as horas são de negociar apoios e alianças.

Michel Temer deverá acompanhar a votação a partir da presidência, no Palácio do Planalto. E, segundo as informações da imprensa brasileira, tem a presunção de que não haverá dois terços dos deputados a rejeitar o parecer, obrigando-o a enfrentar a justiça.

Sessão em curso

Para que o parlamento debata e vote a decisão sobre o futuro do presidente Michel Temer é necessária a presença de 342 dos 513 parlamentares. Precisamente dois terços, a mesma quantidade necessária para reprovar o parecer que favorece Temer e permitir que o Supremo analise as acusações de corrupção feitas pela Procuradoria Geral.

Michel Temer foi formalmente acusado de corrupção passiva pelo procurador Rodrigo Janot, por alegadamente ter recebido subornos da empresa JBS, uma das maiores a nível mundial na fabricação e processamento de carnes.

Agora, tratando-se do presidente da República Federativa do Brasil, só com o voto de dois terços dos deputados brasileiros, o Supremo Tribunal Federal poderá avaliar a acusação. O que implicará a suspensão do mandato de Michel Temer por seis meses.

Caso contrário, Temer continuará em funções até ao final do próximo ano, quando termina o mandato iniciado por Dilma Rousseff, que foi destituída num processo de impeachment e substituída pelo atual chefe de Estado.

Contagem de espingardas

Michel Temer, segundo noticia o site G1, passou a manhã recebendo deputados, governadores e ministros. Destes últimos, ministros, exonerou dez, para que possam voltar a exercer o cargo de deputados para que foram eleitos e ajudar na aprovação do parecer, chumbando a continuidade do processo judicial.

Mas mesmo entre os partidos que têm apoiado Temer - que pertence ao PMDB, o Partido do Movimento Democrático Brasileiro - há quem se prepare para roer a corda: o líder parlamentar do PSDB - Partido da Social Democracia Brasileira, Ricardo Tripoli já anunciou que vai aconselhar o voto contra o presidente. Mesmo dando liberdade de voto à sua bancada.

A votação será nominal, segundo decisão do presidente da câmara dos deputados, Rodrigo Maia. Um a um, cada parlamentar dirá se vota a favor do parecer, que impede Temer de vir a enfrentar a justiça, ou contra, viabilizando que o Supremo avalie as acusações contra o presidente.

Numa contabilização feita junto dos deputados, o site G1 apurou haver 201 contra Temer e 115 a favor. Haverá ainda 73 indecisos e 123 que não responderam. Para o presidente se aguentar no cargo precisa de 172 votos que aprovem o parecer do parlamento.