Um ano e três meses depois do voo MH17 da Malaysia Airlines ter sido abatido por um míssil terra-ar, alegadamente disparado pelos rebeldes pró-russos que enfrentavam as forças ucranianas em Gabrovo, na região de Donestk, as questões sobre como poderá ter este Boeing 777-200 com 289 pessoas a bordo ter sido confundido com um alvo hostil, continuam por responder. Assim como o motivo pelo qual a Ucrânia não constava da lista de corredores aéreos interditos.
 
E talvez mais alarmante é que algumas regiões já interditadas continuam a ser usadas como corredores aéreos pelas companhias de aviação, em nome da rapidez e poupança de custos.
 
Ainda esta semana um alto responsável do Eurocontrol (Organização Europeia para a Segurança da Navegação Aérea) afirmava que para evitar sobrevoar a Síria ou o Iraque, as companhias aéreas escolhem cruzar s céus do Irão ou Turquia, mas o mesmo não acontece na região do mar Cáspio, a partir do qual a Rússia tem repetidamente lançado mísseis a partir dos seus navios contra alvos na Síria.
 
O espaço aéreo sobre o Iraque foi o primeiro a ser definido como proibido em 1991, aquando da primeira guerra do golfo. Mais recentemente a mesma designação de “No Fly Zone” foi implementada no espaço aéreo sírio.

Outra das dificuldades é a rapidez com que a informação chega às companhias aéreas. Desde o incidente com o voo MH17 que está online a página da ICAO (Organização Internacional da Aviação Civil), o departamento das Nações Unidas dedicado à segurança aérea, onde são emitidos avisos sobre espaços aéreos a evitar. No entanto, a Associação Internacional de Transporte Aéreo sublinha que se trata de um sistema demasiado lento.
 
Sempre que um alerta sobre uma zona menos segura é denunciado, demora 72 horas a ser transmitido às companhias aéreas, uma vez que é alvo de confirmação e até mesmo direito de resposta por parte das entidades oficiais que administram a zona em causa.

Situação que leva os responsáveis internacionais pela segurança da aviação civil a concluir que há ainda muitos aspetos a melhorar para tornar mais seguras as rotas que cruzam zonas de conflitos.
 
Isto num contexto em que são cada vez mais os confrontos regionais e étnicos e que se desenrolam a um ritmo difícil de prever.