A comissão nuclear do México revelou hoje que o material radioativo que estava dentro de um camião roubado pesa 60 gramas, uma quantidade que os técnicos garantem bastar para fazer uma designada «bomba suja».

O diretor da segurança radiológica na Comissão para as Salvaguardas e Segurança Nuclear, Jaime Aguirre Gomez, disse à agência noticiosa AFP que o cobalto-60 estava no aparelho médico para teleterapia de «quase 3.000 Curies».

Porém, «enquanto [o material] estiver no contentor, não há razões de alarme», explicou Aguirre Gomez.

A viatura foi roubada por dois homens armados na segunda-feira, quando estava numa estação de serviço no Estado de Hidalgo, situada a norte da capital, a uma hora de condução, informaram as autoridades, citando o motorista. A busca da viatura já se estende a seis Estados, para além da área da capital.

O material é proveniente de um hospital na cidade de Tijuana, no noroeste do país, e estava a caminho das instalações de tratamento de lixo radioativo naquele Estado central do México.

A Agência Internacional de Energia Atómica alertou para o facto de este material ser «extremamente perigoso» se for removido da sua proteção.

Um incidente ocorrido na Tailândia, em 2000, com cobalto-60 com 425 Curies, causou a morte a três pessoas.

Peritos nucleares disseram à AFP que a quantidade em causa bastava para fazer uma «bomba suja», designação que respeita à dispersão de material radioativo através da explosão de uma bomba convencional.

«Penso que se pode construir uma espécie de «bomba suja». O explosivo convencional pode produzir uma nuvem e transportar esse material ao dispersar», disse o diretor do Departamento de Física da Universidade Ibero-americana do México, Alfredo Sandoval.