O segundo-comandante do navio King Jacob, que resgatou 22 dos sobreviventes do naufrágio de domingo no Mediterrâneo, afirmou esta quinta-feira à Lusa que foram utilizadas cordas, boias e um barco pneumático para salvar os imigrantes.

“Sinto-me muito feliz por ter salvado estas pessoas”, afirmou o segundo-comandante do navio, o filipino Allan Lara, de 36 anos, contactado telefonicamente pela Lusa.

Segundo Lara, depois de a embarcação se virar, os imigrantes desataram a nadar em direção ao seu navio, que se encontrava a poucos metros.

O navio mercante, de bandeira portuguesa, recebeu na madrugada de domingo um alerta das autoridades italianas para ir em auxílio da embarcação, que navegava na mesma zona do Mediterrâneo, a 70 milhas da costa da Líbia.

Segundo a procuradoria da Catânia (Sicília), que está a investigar o caso, a embarcação ao tentar aproximar-se do King Jacob colidiu com este e virou-se.

A bordo seguiam cerca de 800 pessoas, muitas delas trancadas no porão da embarcação, de acordo com os testemunhos de sobreviventes recolhidos pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

Os restantes seis sobreviventes foram resgatados pelas autoridades italianas, um deles, oriundo do Bangladesh, transportado de helicóptero diretamente para a Catânia devido ao estado de saúde.

A procuradoria da Catânia considera que o naufrágio ocorreu devido a erros de manobra do capitão da embarcação naufragada e aos movimentos de pânico das centenas de migrantes que lá se encontravam, ilibando o navio mercante de qualquer responsabilidade no naufrágio.

O King Jacob está agora a caminho do porto de Palermo, na Sicília, onde deverá atracar.