Centenas de manifestantes ambientalistas desobedeceram à proibição imposta pelo Governo, que proíbe grandes concentrações de pessoas, e manifestaram-se na praça da república, em Paris, envolvendo-se em confrontos com a polícia.

Muitos dos manifestantes estavam encapuzados e vários arremessaram projeteis. A polícia respondeu com jactos de gás lacrimogéneo.

Os manifestantes gritavam: "não nos tirarão o direito de nos manifestarmos".
 
A proibição de manifestações em toda a França foi imposta na sequência dos atentados terroristas que mataram 130 pessoas.

A polícia deteve uma centena de manifestantes, segundo a agência noticiosa France Presse (AFP).

“São pequenos grupos violentos que atacaram a polícia com projéteis, como velas, e até mesmo com uma bola de boliche [bowling]", disse o chefe de polícia de Paris, Michel Cadot, acrescentando que nenhum dos manifestantes ou elementos das forças de segurança policiais ficaram feridos.

O protesto desta tarde faz parte de cerca de dois mil eventos em todo o mundo contra o aquecimento global, que acontecem um dia antes da cimeira do clima, que vai decorrer na capital francesa.

A marcha pelo clima tinha sido cancelada e em substitituição, os manifestantes organizaram-se e enviaram para Paris alguns milhares de pares de sapatos, que cobriam a praça La République, numa ação simbólica de representação dos ambientalistas e cidadãos que se juntaram à causa.

Esta manhã, as demonstrações tinham sido bem mais pacíficas. Milhares de pessoas, entre parisienses e ativistas de todo o mundo, deram as mãos para formar um cordão humano ao longo do Boulevard Voltaire, contra as alterações climáticas e a violência.

"Juntamos as mãos contra a mudança do clima e a violência", refere Hoda Baraka, da 350.org, citada numa informação divulgada pela organização ambientalista.

Como escreve a agência Lusa, o cordão humano, assim como a iniciativa de colocar milhares de pares de sapatos no local onde iria realizar-se a marcha, realizaram-se sem acidentes, mas depois alguns manifestantes atiraram objetos à polícia que respondeu com gás lacrimogéneo.

Além destes participantes pacíficos em Paris, "centenas de milhares de pessoas estão a participar em marchas contra as alterações climáticas em todo o mundo e deixam uma mensagem clara" para os líderes mundiais.

"Deixem os combustíveis fósseis no solo e financiem uma transição justa para energias 100% renováveis" é o que transmitem os manifestantes nas cidades, incluindo em Portugal, estando previstas marchas, na tarde de hoje.

O cordão humano prolongou-se desde a estação de metro de Oberkampf, perto da praça de la République, passou pelo teatro Bataclan, um dos locais dos atentados, e terminou na praça de Nation.

Pais, filhos, ativistas e delegados da conferência das Nações Unidas, que decorre até 11 de dezembro, juntaram as mãos a favor da paz e da justiça climática, salienta a 350.org.

Entre as cidades com marchas a favor do clima estão Sydney, Melbourne, Cairo, Londres, Tóquio, Barcelona, Berlim, Joanesburgo, mas também Porto, Braga e Lisboa.

Justamente na capital, várias centenas de manifestantes partiram da praça Martim Moniz em direção à Alameda, numa marcha que junta ambientalistas e famílias que empunham cartazes verdes.

Muitos chegaram à concentração de bicicleta, alguns com as crianças na parte de trás do velocípede, e todos queriam transmitir aos responsáveis políticos - portugueses, mas principalmente internacionais - que é indispensável avançar com medidas para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa e assim travar as alterações climáticas.

A presença da polícia é discreta, estando alguns agentes com motos e três carros visíveis.

Esta iniciativa foi promovida pela Academia Cidadã sob o mote “Muda o sistema, não o clima!”. A Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza associou-se a este movimento internacional.

Os Verdes também integram a Marcha pelo Clima, com a presença de, entre outros militantes e simpatizantes do PEV, Heloísa Apolónia, deputada ecologista, e Manuela Cunha, membro da Comissão Executiva dos Verdes.