Kailash Satyarthi foi laureado esta sexta-feira, em Oslo, como o Nobel da Paz de 2014. O galardão será dividido com a jovem paquistanesa Malala Yousafzai.

Satyarthi nasceu a 11 de janeiro de 1954 em Vidisha, no centro da Índia.

O Nobel da Paz de 2014 foi-lhe atribuído pela sua força e determinação contra o trabalho e exploração infantil e juvenil e na luta pelo direito de todas as crianças à educação.

A luta de Satyarthi começou nos anos 1980. A organização que criou, Bachpan Bachao Andolan (BBA), já libertou mais de 80 mil crianças indianas vítimas de exploração laboral, sexual e cativeiro, ao mesmo tempo que tem desenvolvido programas de reintegração, reabilitação e educação. Esta foi a primeira campanha da sociedade civil indiana contra a exploração de crianças.

Uma das ações de maior relevância é o programa Bal Mitra Gram (BMG) que se apresenta no território como uma inovação no modelo de desenvolvimento do combate ao trabalho infantil, à proteção dos direitos fundamentais das crianças e ao direito ao acesso a uma educação de qualidade e igualitária.

«Quando começámos a BBA, percebemos que para combater o tráfico e a exploração infantil tínhamos de abordar o problema a partir da base: nas aldeias quase 70% dos trabalhadores são crianças. Por isso decidimos criar, no ambiente ao qual estas crianças estão habituadas, condições para que possam deixar o trabalho, frequentar a escola, expressar as suas opiniões e ter a certeza de que são ouvidas e respeitadas», explicou o fundador da BBA ao jornal «Hindustan Times».

Na Índia, os elevados níveis de analfabetismo e pobreza extrema levam muitas famílias a «vender» as filhas em troca de dinheiro ou comida. Muitas dessas crianças acabam na prostituição e exploração laboral sem quaisquer direitos sobre a sua educação.

Desde 2001, a BBA já transformou 356 vilas para melhor acolherem e tratarem as suas crianças ao longo de 11 estados indianos. O BMG garante que as crianças, pelo menos até aos 14 anos, tenham acesso livre, universal e de qualidade à educação e à escola para que não caiam, principalmente as raparigas, nas malhas do tráfico, da exploração ou de um casamento forçado.

Na cerimónia de divulgação dos nomes para o Nobel da Paz, o presidente do Comité Nobel norueguês, Thorbjoern Jagland, frisou que «as crianças precisas ir para a escola e não serem exploradas financeiramente».

«Nos países pobres do mundo, 60% da população atual tem menos de 25 anos. É pré-requisito para um desenvolvimento global pacífico que os direitos das crianças sejam respeitados», continuou.

Sobre o ativista indiano, Jagland afirmou que este manteve «a tradição de Gandhi». Satyarthi «liderou várias formas de protestos e manifestações, todas pacíficas, com foco para a grave exploração das crianças para fins laborais. Ele também contribuiu para o desenvolvimento de importantes convenções internacionais sobre o direito da criança», disse.

O ativista já recebeu diversos prémios pelo trabalho realizado com as crianças, entre eles:
2014: Nobel da Paz, partilhado com Malala Yousafzai (Noruega)
2009: Prémio pela Defesa da Democracia (EUA)
2008: Prémio Internacional Alfonso Comin (Espanha)
2007: Medalha do Senado Italiano; reconhecido como um dos «heróis ativistas pelo fim da escravatura dos tempos modernos» pelo Departamento do Estado dos EUA
2006: Prémio Liberdade (EUA)
2002: Entrega da medalha Wallenberg, pela Universidade de Michigan (EUA) 
1999: Prémio Friedrich Ebert Stiftung (Alemanha)
1995: Prémio Direito Humanos Robert F. Kennedy (EUA); Prémio The Trumpeter (EUA)
1994: Prémio Internacional pela Paz The Aachener (Alemanha)