Uma enfermeira do Hospital La Paz, que integra a unidade Carlos III, foi esta quarta-feira isolada como medida de precaução perante um novo possível caso de contágio pelo vírus do Ébola, confirmaram fontes hospitalares.

As mesmas fontes explicaram que a enfermeira, que estava a trabalhar esta quarta-feira de manhã, registou algumas décimas de febre e está agora isolada no Hospital Carlos III, onde está a ser tratada a auxiliar de enfermagem Teresa Romero Ramos, de 44 anos, o primeiro caso de contágio com Ébola fora de África.

Esta enfermeira é a sexta pessoa a ser submetida a isolamento desde que na segunda-feira se confirmou o primeiro caso de contágio de Teresa Romero.

Já na noite de terça-feira uma outra enfermeira que esteve em contacto com a auxiliar de enfermagem infetada pelo vírus foi admitida por precaução, com sintomas de febre muito ligeira, tendo ficado isolada.

No hospital Carlos III estão ainda isolados o marido de Teresa Romero, considerado «de alto risco» devido à sua proximidade à paciente, um homem que viajou para o estrangeiro e uma outra auxiliar de enfermagem, ambos com análises negativas.

Ministra da Saúde recusa demitir-se

A ministra da Saúde espanhola afirmou, esta quarta-feira, o parlamento em Madrid que não se vai demitir, prometendo total transparência e a responder com responsabilidade perante o primeiro caso de contágio do vírus do Ébola em Espanha.

Em resposta a várias perguntas da oposição, Ana Mato defendeu o trabalho do executivo desde a confirmação do caso de contágio, na segunda-feira, afirmando que o sistema de saúde espanhol tem capacidade para lidar com a situação atual. «Continuarei a trabalhar», disse.

Na sua intervenção Mato defendeu os protocolos aplicados e que, reiterou, foram analisados por vários comités científicos, mostrando-se disponível para ir ao parlamento dar as explicações que sejam necessárias.

O tema do Ébola acabou por dominar as perguntas dirigidas a Ana Mato pela oposição durante a sessão de controlo ao Governo, tendo a governante garantindo que os cidadãos podem confiar «nos excelentes profissionais» sanitários espanhóis.

«A nossa prioridade é atender a paciente, seguir os contactos que teve e analisar as ações e procedimentos para averiguar a causa deste contágio. Continuaremos a trabalhar e queremos contar com o apoio de todos os grupos parlamentares», disse.

Mato recordou que já foi criada uma comissão de saúde pública para acompanhar o caso, que Madrid está em contacto com as entidades internacionais e a acompanhar em detalhe toda a situação.

Comprometeu-se ainda a adotar «todas as medidas necessárias para garantir a segurança de todos os cidadãos», explicando não haver indícios de que qualquer pessoa que contactou com a auxiliar de enfermagem tenha contraído o vírus.

Sobre as causas de contágio, Mato disse que se está a investigar o que ocorreu, todos os procedimentos e protocolos e ainda a forma como o caso da paciente foi tratado antes das análises positivas ao vírus.