Promotores do Estado de São Paulo pediram a prisão preventiva do ex-Presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva relacionada com a denúncia que apresentaram sobre crimes cometidos na aquisição de um apartamento tríplex no Guarujá, litoral daquele Estado.

Segundo informações divulgadas hoje pelos jornais Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo, Lula é acusado de ter praticado os crimes de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica, porque ele supostamente ocultou a propriedade do triplex.

Além do político, a sua mulher, Marisa Letícia, um dos filhos, Fábio Luís Lula da Silva e outras 13 pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público, num inquérito que corre em São Paulo, sem relação direta com a Operação Lava Jato.

O advogado de defesa do ex-Presidente já veio considerar que os procuradores do Estado de São Paulo que pediram a prisão preventiva do seu constituinte pretendem “amordaçar um líder político”.

"Buscou-se, de facto, amordaçar um líder político, impedir a manifestação do seu pensamento e até mesmo o exercício de seus direitos", disse Cristiano Zanin Martins, responsável pela defesa de Lula, numa nota enviada à Lusa em São Paulo.

Apesar da informação avançada pelos jornais brasileiros nenhum dos procuradores quis confirmar a possibilidade de novas detenções, nem confirmar o pedido de prisão preventiva.

Esta acusação é distinta da mega investigação "Lava Jato" que as autoridades ainda não terminaram. Este é um processo paralelo.

Instituto Lula acusa procurador de parcialidade

O Instituto Lula acusou hoje, em comunicado, o procurador que pediu a “prisão preventiva” do antigo Presidente do Brasil de estar a ser parcial.

“O procurador paulista que antecipou a decisão de denunciar Luiz Inácio Lula da Silva antes mesmo de ouvir o ex-Presidente dá mais uma prova de parcialidade ao pedir a prisão preventiva de Lula”, refere o Instituto Lula.

Para o Instituto Lula, o procurador “possui documentos que provam que o ex-Presidente não é proprietário nem do triplex no Guarujá, nem do sítio em Atibaia, e tampouco cometeu qualquer ilegalidade”.

Um "evento mediático" sem fundamento

O Partido dos Trabalhadores (PT), no poder no Brasil, considerou também que o pedido de prisão preventiva de Lula da Silva carece de “fundamento” e é apenas um “evento mediático”.

“Vai de encontro ao que tem sido feito pelo procurador e seus aliados, sem provas, contra Lula”, afirmou aos jornalistas o presidente do PT, Rui Falcão, depois de uma reunião no Instituto Lula em que participou o antigo chefe de Estado.

Rui Falcão qualificou a solicitação da Procuradoria de “pedido desbocado”, de “ignomínia” e de atentado ao “sentido comum” e disse acreditar que a Justiça “não acatará o pedido”, que se baseia em alegados crimes de branqueamento de dinheiro e falsificação de documentos num processo de corrupção paralelo à investigação das irregularidades da Petrobras.