A Justiça Federal de Brasília determinou, esta quinta-feira, a suspensão da nomeação do ex-presidente Lula como ministro da Casa Civil do Governo de Dilma Rousseff. A notícia é avançada pelo jornal Folha de São Paulo

De acordo com o jornal, o juiz Itagiba Catta Preta Neto entende que há indícios de cometimento do crime de responsabilidade. O advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, já anunciou que o governo federal irá recorrer da decisão, ainda esta quinta-feira.

O jurista considera que a decisão do juiz Catta Preta Neto não tem suporte legal, uma vez que outro magistrado já estava a tratar do processo

Lula da Silva tomou posse esta quinta-feira, cerca das 10:30 locais (mais três horas em Lisboa). Foi ministro durante pouco mais de uma hora.

Na cerimónia da tomada de posse, Dilma Rousseff atacou ferozmente Sergio Moro, o juiz responsável pela operação Lava Jato, acusando-o de desrespeito à Constituição Federal. A Presidente falou mesmo de "métodos escusos" e "práticas criticáveis", que podem levar à realização de golpe presidencial no Brasil.

"Convulsionar a sociedade brasileira em cima de inverdades, métodos escusos e práticas criticáveis viola princípios e garantias constitucionais e os direitos dos cidadãos. E abrem precedentes gravíssimos. Os golpes começam assim", disse.

Assim que Dilma começou a falar, na cerimónia de tomada de posse, houve protestos na sala. Mal Dilma disse “bom dia”, dentro da sala, o deputado Major Olímpio (SD-Solidariedade) gritou: "É uma vergonha o que aconteceu ontem".

Major Olímpio foi vaiado e houve mesmo quem lhe tapasse a boca. Foi escoltado pela segurança presidencial até á porta.

O clima político e social no Brasil está ao rubro. Sobretudo depois de a justiça ter divulgado uma escuta telefónica, que revela uma conversa entre Lula da Silva e Dilma Rousseff. Na conversa, Dilma anuncia ao ex-presidente que lhe vai enviar um “termo de posse”, para ser usado em “caso de necessidade”. Dilma está a ser acusada pelos analistas e pela opinião pública de obstruir a justiça e tentar evitar uma eventual detenção do amigo e colega de partido, investigado por corrupção.