O ex-presidente brasileiro Lula da Silva entrou na noite de sábado na sede da Polícia Federal de Curitiba, onde vai ficar preso para cumprir uma pena de 12 anos e um mês de prisão. Pelo menos nove pessoas ficaram feridas em incidentes durante a chegada de Lula à prisão.

Segundo o G1, o avião que transportava o ex-chefe de Estado do Brasil aterrou no aeroporto Afonso Pena às 22:01 de sábado (mais quatro horas em Lisboa), tendo Lula da Silva seguido daqui de helicóptero para as instalações da Polícia Federal naquela cidade.

Lula da Silva ficará preso numa “sala especial de 15 metros quadrados, no 1.º andar do prédio” da Polícia Federal (PF), “com cama, mesa e casa de banho”, tendo sido autorizada a instalação de televisão, informa o mesmo ‘site’.

Centenas de cidadãos, a favor e contra a prisão de Lula da Silva, estavam no local, mas separados por numa distância de cerca de 30 metros.

A PF foi obrigada a usar gás lacrimogéneo contra apoiantes de Lula que protestavam junto às instalações no momento em que aterrou o helicóptero que transportava Lula da Silva.

De acordo com fontes da PF, citadas pelo G1, quando o helicóptero que transportava Lula da Silva aterrou no local, explodiram dois supostos petardos no meio da concentração de simpatizantes do antigo chefe de Estado.

Pelo menos nove pessoas ficaram feridas, incluindo uma criança e um polícia.

 

Juiz proíbe protestos junto à Polícia Federal de Curitiba

Entretanto, um juiz brasileiro já proibiu protestos e acampamentos nas imediações da sede da polícia em Curitiba. Segundo fontes oficiais, a decisão foi tomada na noite de sábado pelo juiz Ernani Mendes Silva Filho, após constatar a “concentração de pessoas e movimentos que podem causar perturbações aos residentes” e causar problemas à segurança.

Na decisão, o magistrado judicial proibiu a entrada de pessoas e viaturas não autorizadas nas ruas próximas da zona do edifício onde Lula da Silva está preso, para “garantir a segurança da população” e “evitar acontecimentos violentos”.

No auto, o juiz proíbe igualmente a montagem de estruturas e acampamentos nas ruas e praças da cidade sem prévia autorização municipal.

Entretanto, a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a maior central sindical do Brasil, emitiu uma nota no seu website dando orientações para que as suas estruturas desenvolvam imediatamente várias ações na sequência da “prisão política do companheiro Lula”.

Entre as ações está o “total apoio à vigília permanente em frente” ao prédio da Polícia Federal em Curitiba, indicando que “serão necessárias barracas, alimentação e infraestrutura”.

 

Manifestações de apoio e contra prisão de Lula em várias cidades do país

Depois de o antigo chefe de Estado se ter entregado à polícia para cumprir pena de prisão, registaram-se manifestações de apoio à sua detenção ou a exigir a sua libertação em várias cidades do país.

As manifestações, de pequenos grupos e que não se prolongaram por muito tempo, tiveram lugar em cidades como Brasília, a capital, São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Fortaleza.

Na madrugada de quinta-feira, o Supremo Tribunal Federal (STF) negou um ‘habeas corpus’ apresentado pela defesa de Lula da Silva, que visava evitar a sua prisão antes de se esgotarem os recursos na Justiça.

Na sequência da decisão do STF, o juiz federal Sérgio Moro decretou a prisão de Lula da Silva e deu como prazo a tarde de sexta-feira para o ex-Presidente brasileiro se apresentar voluntariamente à Polícia Federal na cidade de Curitiba, no Estado do Paraná, sul do Brasil.

No sábado, quase 26 horas depois do prazo dado pelo magistrado, Lula da Silva saiu a pé, rodeado de seguranças, do Sindicato dos Metalúrgicos onde se encontrava desde quinta-feira, em São Bernardo do Campo, no Estado de São Paulo, para se entregar à PF.

Poucos minutos passados das 18:30 (22:30 em Lisboa), terminado o prazo de meia hora que lhe foi dado pela PF para abandonar o edifício, e após uma primeira tentativa de saída impedida pelos seus apoiantes que cercavam o local, Lula da Silva “saiu andando” e entrou num veículo da PF que o aguardava nas imediações.

Depois de conduzido para a sede da PF em São Paulo, foi levado de helicóptero para o aeroporto de Congonhas, onde embarcou para o Paraná.

Luiz Inácio Lula da Silva, 72 anos, foi o 35.º presidente do Brasil (2003-2011) e é o primeiro ex-chefe de Estado condenado por um crime comum.

O ex-presidente sempre se declarou inocente e, em março, considerou mesmo que a sua prisão era “a maior barbárie” jurídica na história do Brasil, porque seria o “primeiro preso político do país no século XXI”.

A declaração foi feita no lançamento do livro “A Verdade Vencerá”, resultado de uma entrevista que deu em fevereiro a um grupo de jornalistas e intelectuais e no qual conta a sua versão de todo o processo judicial que o colocou à beira da prisão.

Na obra, de 216 páginas, o antigo chefe de Estado do Brasil afirma que está preparado para a possibilidade de ser preso, não porque reconheça a culpa, mas porque é vítima de perseguição que visa impedi-lo de disputar as eleições presidenciais de outubro.

Lula da Silva foi considerado culpado do crime de corrupção e branqueamento de capitais, por ter alegadamente recebido um apartamento de luxo na cidade do litoral do Guarujá como suborno da construtora OAS, uma das empresas envolvidas nos escândalos da Operação Lava Jato.