Um avião da Lufthansa, a detentora da companhia low-cost Germanwings, que fazia a ligação entre Bilbao e Munique também sofreu uma perda inesperada de altitude. O incidente aconteceu quando sobrevoava a cidade espanhola de Pamplona, em novembro, e deveu-se ao bloqueio dos sensores do ângulo de ataque, que terão congelado.

O caso mereceu um alerta de segurança por parte da Agência Europeia de Segurança Aérea (EASA), que emitiu uma Diretiva de Aeronavegabilidade de Emergência relativa à quebra abrupta e descontrolada de altitude do aparelho.

Este alerta foi lançado a todos os Airbus A318, A319, A320 e A321 - ou seja, inclui o avião A320 envolvido no desastre desta terça-feira. Em resposta, a construtora Airbus criou uma «revisão temporária» dos manuais de voo dos aparelhos.

O avião, um Airbus A321, ligeiramente maior que o da Germanwings que caiu esta terça-feira, transportava 109 pessoas. Apenas 15 minutos depois da descolagem, quando estava a 31 mil pés (9400 metros) de altura, começou a perder altitude a um ritmo de 4 mil pés (1200 metros) por minuto.

Os pilotos conseguiram parar a quebra de altitude aos 28 mil pés (8500 metros) e o aparelho acabou por aterrar em segurança.

O ângulo de ataque é a posição das asas do avião relativamente ao vento e é ele que determina a quantidade de sustentação e de atrito. Caso o ângulo de ataque aumente em demasia, o avião perde sustentação e começa a cair.

Os sensores do ângulo de ataque permitem que se detete um ângulo anormal. Se a situação se verificar, o avião aciona um sistema de proteção que conduz o avião para uma posição de segurança.

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Caso os sensores estejam congelados, a informação sobre o ângulo de ataque transmitida até ao cockpit pode ser errada e o avião entra em risco, podendo mesmo despenhar-se.

Um mês depois do incidente com o A321 da Lufthansa, a autoridade alemã de investigação de acidentes aéreos emitiu um comunicado a pedir às companhias para seguir os procedimentos a adotar nestas situações, divulgados anteriormente pela Airbus.

Ainda assim, o cenário de congelamento dos sensores do ângulo de ataque é pouco provável para o acidente desta terça-feira com o A320 da Germanwings, uma vez que as condições meteorológicas na zona do desastre eram favoráveis à navegação aérea.