Uma publicação na página oficial de Facebook do ativista angolano Luaty Beirão, esta segunda-feira, faz saber que o ativista come alimentos levados pela família, mas que se mantém em protesto contra a transferência para o hospital prisão. “O protesto mantém-se e a reivindicação também: retornarem ao estabelecimento onde estavam, declinando qualquer tratamento especial”, refere a nota de esclarecimento. O rapper continua em silêncio e só em cuecas.

 

A notícia de uma nova greve de fome por parte de Luaty Beirão foi divulgada no final da semana passada, com a Amnistia Internacional e várias personalidades a solidarizarem-se imediatamente. 

O diretor executivo da seção portuguesa da Amnistia Internacional disse, na quinta-feira, que a organização não-governamental admitia fazer uma nova ação pelos presos de consciência angolanos tendo em vista a atual situação de Luaty Beirão que considerava “preocupante”.

Os últimos acontecimentos que temos vindo a acompanhar através de vários relatos são preocupantes. Luaty Beirão está em greve de fome, de nudez e de silêncio. Uma das fontes é a própria irmã”, disse, à Lusa, Pedro Neto. 

Em declarações à TVI, Serena Mancini confirmava que o irmão estava "nu, deitado no chão e em silêncio", porque essas eram as armas que ele tinha ao seu dispor.

Na noite de quinta-feira, várias personalidades da política e da cultura reuniram-se em Lisboa, com discursos contra a falta de liberdade de expressão em Angola. 

17 condenados por rebelião

O tribunal de Luanda condenou, no final de março, a penas entre dois anos e três meses e oito anos e seis meses de prisão efetiva os 17 ativistas angolanos julgados por coautoria de atos preparatórios para uma rebelião.

Foram igualmente condenados por associação criminosa pelo tribunal.

No caso do rapper Luaty Beirão, a pena, em cúmulo jurídico também por falsificação de documentos, foi de cinco anos e seis meses de cadeia. O luso-angolano não compareceu na sala de julgamento por se ter recusado a ser revistado.

Ativistas agredidas na prisão

No post assinado pela família de Luaty Beirão, surge, no final, um parágrafo dedicado a outras ativistas.

Aproveitamos o momento para nos solidarizarmos com as detidas Rosa Conde e Laurinda Gouveia que, segundo denúncias de familiares nas redes sociais, terão sido vítimas de agressões no seu estabelecimento prisional, com a cumplicidade das guardas presentes no local”.

Esta denúncia, concretizada numa publicação anterior, alega que as ativistas foram agredidas por uma centena de reclusas.