O português encontrado morto numa estação de metro em Londres em fevereiro foi oficialmente identificado como Marcos Gourgel, tendo o inquérito judicial ao óbito sido agendado para 12 de julho, anunciou hoje o Tribunal do Coroner de Westminster.

O inquérito, denominado por 'inquest', é um procedimento a que são sujeitas todas as mortes súbitas e sem causa natural e é conduzido por um magistrado ('coroner'), que tem em conta uma investigação prévia feita pela polícia.

O sem-abrigo de 35 anos foi encontrado morto a 14 de fevereiro na estação de metro de Westminster, perto do parlamento britânico, em Londres, após o alerta dado por elementos da equipa de contacto da autarquia, às 07:16, ao encontrarem o português sem respirar.

"Infelizmente, apesar dos esforços de reanimação, ele morreu no local", indicou então um porta-voz do Serviço de Ambulância de Londres.

O gabinete do líder do partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, chegou a deixar um cartão de condolências e flores e a escrever na rede social Twitter: "Acabei de ser informado sobre a morte de um sem-abrigo à entrada do Parlamento. Os poderosos não podem continuar a passar ao lado, enquanto há pessoas que não têm uma casa. Está na hora de todos os deputados assumirem este desafio moral e encontrar casa para todos".

Também o deputado trabalhista David Lammy descreveu o incidente como um "sinal chocante" da incapacidade do governo britânico em resolver o problema dos sem-abrigo e uma porta-voz do presidente da câmara de Londres, Sadiq Khan, declarou que este "ficou profundamente triste" ao saber da morte do sem-abrigo.

Dois dias depois, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa manifestou publicamente pesar pelo sucedido e agradeceu ao líder trabalhista o gesto de respeito pelo cidadão português que, soube-se mais tarde, estava no Reino Unido em situação ilegal.

O gabinete do secretário de Estado das Comunidades Portuguesas revelou que Marcos Gourgel "estava inscrito no consulado geral de Portugal em Londres desde 2008" e que tinha sido deportado para Portugal pelas autoridades britânicas em 2014.

Numa segunda deportação, em 2016, foi deportado por "se encontrar ilegalmente" no Reino Unido, "sem que tivesse sido formulado qualquer pedido de apoio aos serviços consulares".

Uma organização de apoio a sem abrigo que trabalhou com Marcos Gourgel revelou na altura que tinha assistido o português recentemente e que este estava à procura de emprego, tendo como experiência anterior trabalho de modelo e de atendimento ao público.

"Ele era um nacional português que permaneceu no nosso centro de emergência por algum tempo e que estava a ter ajuda para encontrar um emprego", indicou a Connection at St Martin's, que informou ainda "ele gostava de cantar e frequentava regularmente aulas de ioga"