O presidente do parlamento venezuelano, Diosdado Cabello, anunciou, na noite de segunda-feira, que a marcha convocada para hoje pela oposição não está autorizada a passar pelo município «Libertador», onde está situado o Ministério de Relações Interiores, Justiça e Paz.

«Nenhuma marcha da oposição vai entrar no município "Libertador". Não está autorizada e não vão passar», disse ao canal estatal Venezuelana de Televisão salientando também que nem com o apoio de forças norte-americanas passariam no local.

O dirigente da oposição, Leopoldo López, convocou os venezuelanos para o acompanharem numa marcha que prevê liderar hoje desde o município "Chacao" (leste de Caracas) até ao Ministério de Relações Interiores, Justiça e Paz (centro), para «dar a cara» a acusações do Executivo contra si.

Diosdado Cabello sublinhou ainda que apoia «incondicionalmente a decisão» de Nicolás Maduro de não autorizar a marcha, ao mesmo tempo que acusou a oposição de usar a violência como instrumento político e de ter «um plano para derrotar o Presidente da República e "apagar" todos os revolucionários da face da terra».

O líder do partido Vontade Popular é acusado pelo Governo da Venezuela de estar envolvido nos acontecimentos violentos que provocaram três mortos e dezenas de feridos durante marchas da oposição, na semana passada.

Segundo a imprensa venezuelana Leopoldo López é acusado por um tribunal dos delitos de «homicídio intencional qualificado executado por motivos fúteis e não nobres», de «associação, instigação para cometer delito, intimidação pública, incêndio a edifício público, danos a propriedade pública e lesões graves».

Há uma semana que, diariamente, são registados protestos de estudantes em várias localidades venezuelanas.

Na noite de segunda-feira um estudante de 17 anos foi atropelado por uma viatura enquanto protestava na localidade de Carúpano, estado de Sucre, a cerca de 600 quilómetros a leste de Caracas.

O jovem foi atropelado por, alegadamente, não permitir a passagem de uma viatura e está internado em «estado delicado» segundo o deputado César Rincones, da oposição.

Venezuelanos concentram-se em Times Square

Entretanto, centenas de Venezuelanos concentraram-se segunda-feira na praça nova-iorquina de Times Square para apelar à atenção internacional sobre a situação no país e em apoio dos estudantes que protestam contra o Governo.

Com bandeiras nacionais e cartazes com mensagens contra a violência policial sobre as manifestações de protesto na Venezuela, entre 300 a 400 pessoas juntaram-se para manifestar o seu descontentamento.

A maioria das pessoas concentradas na praça de Nova Iorque eram jovens estudantes que empunhavam cartazes, entoaram mensagens e fizeram declarações de apoio às marchas estudantis que protestam contra o Governo de Nicolás Maduro e contra o silêncio da imprensa do seu país.