Obama respondeu a uma petição online, endereçada à Casa Branca, que surgiu após a morte de Leelah Alcorn, de 17 anos, que se suicidou em dezembro do ano passado e que das cartas que deixou se depreendia uma terapia religiosa.

«Partilhamos as preocupações sobre o hipotético efeito devastador que essas terapias podem ter na vida de transexuais, gays, lésbicas e bissexuais», disse um porta-voz da Casa Branca.

«Estudos científicos provam que as terapias de conversão, especialmente aquelas aplicadas a jovens, não são nem médica nem eticamente apropriadas e podem ter graves consequências», acrescentou.

A Associação de Psiquiatria Americana há muito que se opõe a estas práticas, baseadas na homossexualidade como uma doença mental.

Embora a Casa Branca não tenha explicitamente dirigido ao Congresso um apelo para alterar a legislação a nível nacional, a sua atitude já mereceu o aplauso das LGBT.

Há 18 Estados americanos que já aprovaram legislação que proíbe esse tipo de práticas.

Quem era Leelah Alcorn

Leelah Alcorn era uma adolescente transexual norte-americana que quis deixar uma mensagem importante antes de acabar com a própria vida. No domingo, dia 28 de dezembro, a adolescente morreu atropelada por um camião na cidade de Union Township, no Ohio.

 

Leelah era uma jovem transexual, em luta para conseguir iniciar a transição para o sexo feminino com que se identificava. Ela caminhou aproximadamente cinco quilómetros da casa onde morava com os pais até à estrada I-71, onde se atirou para a frente de um veículo e morreu.

 

Leelah agendou uma mensagem no Tumblr para que fosse publicada no dia a seguir à sua morte.

 

«Quando tinha 14 anos descobri o que queria dizer a palavra 'transexual' e chorei de felicidade. Após 10 anos de confusão, finalmente percebi quem eu era. Disse logo à minha mãe e ela reagiu de uma forma muito negativa, dizendo-me que era apenas uma fase, que eu nunca seria uma rapariga, que Deus não comete erros e que eu estava errada», lê-se na mensagem divulgada pela adolescente, nascida rapaz, e que tinha 17 anos à data da morte.

«A minha morte tem de fazer parte do número de transexuais que se suicidaram este ano. Eu quero que as pessoas olhem para esse número, digam «Isto é horrível» e que façam alguma coisa. Ajudem a reparar esta sociedade. Por favor». É assim que termina a mensagem de Leelah.