A imagem do magistrado, com o fato de Super Homem no lugar da toga, estampado na frente de um automóvel e com a inscrição: “Sergio Moro, o Brasil precisa de você”, rodeado de pessoas com bandeiras do Brasil, ilustra aquilo que os brasileiros esperam de um “super juiz”.

Para além das palavras de ordem proferidas durante a manifestação do último domingo em Brasília, como "Dá-lhe, Moro! Dá-lhe, Moro!” ou "Deixa o Moro trabalhar", o manifesto lido no final do protesto é evidente do impacto que este juiz de 44 anos está a ter no país.

Juiz Sérgio Moro, nós, o povo brasileiro, estamos do seu lado! Confie! Cumpra seu dever e faça justiça! O Senhor (com 'S' maiúsculo mesmo) nos representa! Nós, o povo brasileiro, hoje nas ruas de todo País, apoiamos o Ministério Público, a Polícia Federal e a Justiça brasileira!"

Em menos de dois anos, o homem reservado, que não dá entrevistas nem tira fotografias, tornou-se conhecido do país inteiro por colocar políticos e empresários atrás das grades no âmbito do processo “Lava Jato”, considerado o maior caso de corrupção no Brasil, e que desafia agora o antigo Presidente Lula da Silva.

A revista Isto é escrevia, em dezembro de 2014, que o juiz da 13.ª vara federal criminal de Curitiba encarava “a magistratura como profissão de fé”. Foi eleito por esta publicação “Brasileiro do Ano”, título que conquistaria ainda na revista Veja, em 2014 e 2015.

De hábitos simples, a imprensa brasileira diz que o juiz chegou a ir para o trabalho de bicicleta e que tem um carro utilitário e antigo. Já em dezembro de 2014, apesar do processo em que estava a trabalhar, dispensava os guarda-costas. A mulher, a advogada Rosângela Wolff de Quadros Moro, procuradora jurídica da Federação Nacional das Apaes, uma instituição dedicada à inclusão social de pessoas com deficiência, teme, porém, pela segurança do marido. Têm dois filhos.

Filho de um professor de Geografia e de uma professora de português, também Moro seguiu as pisadas do pai antes de optar por Direito e depois seguir a magistratura.

É Mestre e Doutor em Direito do Estado pela Universidade Federal do Paraná, frequentou o Program of Instruction for Lawyers na prestigiada Harvard Law School, e possui várias formações em lavagem de dinheiro no International Visitors Program, promovido pelo Departamento de Estado norte-americano.

Nos últimos dois anos, os números do seu trabalho no “Lava Jato” falam por si: 120 prisões preventivas, 50 condenações e mais de 500 empresas e políticos sob escrutínio judicial. E este é apenas o balanço provisório de um megaprocesso que vai na 24.ª fase.

LEIA TAMBÉM:

As conversas telefónicas entre Lula e Dilma

Justiça suspende posse de Lula