Os cinco membros do grupo que ficou conhecido como La Manada, condenados a nove anos de cadeia por abuso sexual em grupo de uma jovem nas festas de San Fermin, em 2016, foram colocados em liberdade provisória esta quinta-feira, mediante o pagamento e uma fiança de seis mil euros. A condenação foi conhecida a 26 de abril e os arguidos recorreram da sentença cinco meses depois, tendo os advogados de defesa interposto um pedido de libertação, enquanto se aguarda uma decisão de um tribunal superior.

A decisão de libertação foi tomada pela Audiencia de Navarra, o mesmo tribunal que os condenou e igualmente por dois votos contra um, precisamente o presidente do coletivo de juizes, que defendeu a manutenção da prisão preventiva por tempo indefinido. Os outros dois magistrados consideram que não há risco de fuga nem de perigo de continuidade da atividade criminosa.

Os cinco jovens podem abandonar a cadeia assim que dpositarem a fiança de seis mil euros. Um agente judicial já se deslocou às cadeias de Pamplona e de Alcalá de Henares, em Madrid, para comunicar a decisão aos arguidos.

Os arguidos ficam ainda obrigados a apresentarem-se três vezes por semana às autoridades, não podem comunicar com a vítima, nem sair de território espanhol sem autorização jmudicial.

A condenação por abuso sexual e a absolvição pelo crime de violação já tinha gerado forte conturbação social, com manifestações um pouco por todo o país com o lema “não é abuso, é violação”.

Movimentos feministas anunciam "ocupação das ruas"

Perante a decisão de libertação, várias associações feministas já anunciaram protestos e prometem mesmo ocupar as ruas.

As ativistas Teresa Lozano e Zua Méndez, conhecidas como Towanda Rebels, famosas pelas campanhas de vídeo nas redes sociais "Yo te creo" em defesa da vítimas da Manada, apelam a quer todas as mulheres ocupem as ruas.

As duas vão hoje apresentar o livro "HolaGuerrera" e querem que as mulheres apareçam e depois sigam todas até ao Ministério da Justiça para protestar a decisão.

Outro movimento, a Plataforma 8M, diz que eles não serão libertados.

"Isso não vai acontecer porque vai haver uma grande contestação nas ruas", disse uma representante prometendo encher as ruas, repetindo o que foi feito a 8 de março, no dia da mulher.

Yolanda Besteiro, presidente da Federação das Mulheres Progressistas, diz que esta medida é "triste e lamentável, sobretudo pelo alarme social e por toda a tensão que gera".

Até ao momento já estão marcadas 22 manifestações para as 21 horas de quinta-feira e sexta-feira, em várias cidades espanholas.