Morreu Liliane Bettencourt, francesa e herdeira do império L'Oreal e cuja família detém um terço das ações da multinacional, aos 94 anos. O óbito foi anunciado pela filha Françoise Bettencourt Meyers, num comunicado enviado à comunicação social francesa.

Liliane Bettencourt morreu esta noite em sua casa. Faria 95 anos a 21 de outubro. A minha mãe partiu em paz", escreveu a filha no comunicado.

Liliane Bettencourt era detentora de uma fortuna avaliada em 40 mil milhões de dólares (33,5 mil milhões de dólares), segundo a revista Forbes. Era a mulher mais rica do mundo, detentora da 14.ª posição na tabela dos milionários.

Doente, diagnosticada com Alzheimer, desde 2012 que Liliane Bettencourt se mantinha retirada da esfera pública. Foi nesse mesmo ano que abandonou o conselho de administração da L'Oreal, empresa onde a holding familiar Thétys detinha 33,05% do capital, sendo acionista maioritária. Vivia hoje rodeada de cuidados médicos numa mansão em Neuilly-sur-Seine, a oeste de Paris.

A filha Françoise Bettencourt Meyers estava desde então como presidente da holding familiar e deverá continuar.

Filha do pai

Liliane Bettencourt nasceu a 21 de outubro de 1922. Estudou num colégio religioso dos Dominicanos. A sua mãe era pianista e morreu quando ela tonha apenas cinco anos.

Crida sob uma educação rigorosa, aos 15 anos, Liliane começou a trabalhar na L'Oreal e tornou-se a fiel depositária da empresa criada pelo pai, Eugène Schueller.

Na hora da sua morte, em comunicado, o diretor-geral da L'Oreal, Jean-Paul Agon, exprimiu uma "imensa tristeza" pela partida de "Madame" Bettencourt.

Temos todos uma profunda admiração por Liliane Bettencourt que sempre esteve atenta à L'Oréal, à empresa e aos seus colaboradores, e que esteve muito ligada ao seu sucesso e desenvolvimento", comunicou o CEO da L'Oreal.

"L'affaire Bettencourt"

O caso que ficou conhecido como "L'affaire Bettencourt" foi um dos que marcou os últimos anos de vida de Liliane. Ficou viúva em 2007, quando morreu o seu marido André e aí ganhou influência em seu redor um meio-escritor, meio-fotógrafo de celebridades, François-Marie Banier.

A filha única reagiu, levou o caso a tribunal, acusando o fotógrafo de se aproveitar da fragilidade mental da mãe: foi o chamado "Affaire Bettencourt", que chegou à justiça em 2007.

Em 2011, o tribunal decidiu que Liliane sofria de Alzheimer e estava incapaz de agir por sua própria vontade. Apesar de ter ficado sob tutela da família, a milionária ainda tentou alterar o seu testamento, que já antes presenteava o amigo fotógrafo.

O neto Jean-Victor Meyers ficou encarregado de cuidar da avó. Foi também dele um dos depoimentos que se tornou relevante no "Affaire Bettencourt", quando contou em tribunal uma conversa que tivera com Liliane sobre dinheiro dado ao fotógrafo Banier.

Queixava-se a idosa que a filha a atacava por ter dado um milhão a François-Marie. Quando o neto lhe disse que tinha dado sim, mas mil milhões, a avó terá apenas perguntado: "você tem a certeza?".

Em 2015, o fotógrafo Banier foi condenado em primeira instância no tribunal de Bordéus. Foi sentenciado a três anos de prisão, com seis meses de pena suspensa, e o pagamento de uma multa de 350 mil euros.