Kirill Serebrennikov, de 47 anos, diretor artístico do Centro Gogol, teatro de Moscovo, é suspeito de “fraude em larga escala”, delito passível de uma pena de dez anos de prisão, refere o comité de investigação, serviço que reporta diretamente ao governo russo.

Os trabalhos do encenador, que vão do cinema à ópera, abordam assuntos pouco discutidos como a corrupção e o sexo, o que já gerou críticas de setores mais conservadores da sociedade russa, que pedem que o Estado deixe de financiar as suas produções.

Na segunda-feira, um tribunal de Moscovo decidiu manter Serebrennikov em prisão domiciliária, num caso que já ultrapassou as fronteiras russas e tem captado a atenção da comunidade artística internacional.

O tribunal permitiu, no entanto, que o realizador e encenador possa sair duas horas por dia.

Serebrennikov tem vindo a recusar as acusações de que é alvo, classificando-as de “absurdas e impossíveis”.

O presidente russo, Vladimir Putin, rejeitou, esta terça-feira, qualquer ação de censura ou pressão das autoridades sobre o encenador e realizador Kirill Serebrennikov, mantido em prisão domiciliária em Moscovo, por suspeita de desvio de fundos públicos.

Não há “censura nem pressão” em torno do cineasta acusado de desviar 68 milhões de rublos (perto de um milhão de euros) de subsídios públicos entre 2011 e 2014, afirmou Putin numa conferência de imprensa na China, no âmbito da cimeira dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

Segundo Putin, se as autoridades quisessem censurar Serebrennikov não o teriam subsidiado.

Em julho, o Teatro Bolshoi cancelou uma produção de Kirill Serebrennikov sobre o bailarino Rudolf Nureyev, três dias antes da estreia, tendo, porém, negado que o cancelamento se tenha ficado a dever às descrições gráficas das relações homossexuais do artista retratado.

Numa carta publicada na semana passada, o dramaturgo e encenador Ivan Vyrypayev apelou à comunidade artística russa para que abandonasse os fundos públicos e se recusasse a apertar a mão do presidente diante de câmaras.

No final de agosto, uma petição redigida pelo diretor do teatro Schaubühne, em Berlim, Thomas Ostermeier, e pelo dramaturgo Marius von Mayenburg apelava ao Ministério Público russo para que abandonasse as acusações “politicamente motivadas” contra Serebrennikov.

A petição, citada pelo britânico The Guardian, foi assinada por atores como Cate Blanchett e Nina Hoss e pela escritora Elfriede Jelinek, entre muitos outros.