Atualizada às 23h59

A líder da oposição ucraniana, Iulia Timochenko, condenada a sete anos de prisão em 2011 por abuso de poder, foi libertada este sábado, noticiou a agência France Press.

Ucrânia: Ianukovich declarado incompetente, eleições a 25 de maio

Quando saiu de carro do hospital prisão em Kharkiv, no leste da Ucrânia, Timochenko acenou aos jornalistas e às centenas de apoiantes que gritavam «Iulia livre».

Na chegada à Praça da Independência, em Kiev, que está ocupada por manifestantes contra o governo desde novembro, Timochenko foi recebida em festa por mais de 50 mil pessoas.

«Vocês são heróis, são os melhores da Ucrânia», gritou, em lágrimas, Iulia Timochenko, que surgiu sentada numa cadeira de rodas, enquanto a multidão gritava «Iulia! Iulia! Iulia!».

«Os heróis nunca morrem», afirmou, quase a chorar.

Presa há dois anos e meio, no dia em que saiu em liberdade, a líder da oposição tentou incluir-se no movimento contestatário, assumindo a liderança.

«Lamentei tanto não estar aqui, quando vocês lutavam nas barricadas, sem poder trabalhar para que tudo fosse feito de forma pacífica. Quando vi na televisão um rapaz cair ferido e os outros a arriscarem a vida para o irem ajudar, eu chorei e rezei», declarou, antes de ordenar: «Ninguém tem o direito de deixar esta praça enquanto não mudarmos o país. Enquanto não tivermos a certeza de que há uma autoridade que não permitirá que o país volte para trás, ninguém tem o direito de sair daqui.»

«Não reconheci Kiev, com carros queimados, barricadas, mas é uma outra Ucrânia, a Ucrânia dos homens livres», afirmou, algumas horas depois da destituição do Presidente Viktor Yanukovitch pelo parlamento.

Durão Barroso saúda libertação de Timochenko

O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, saudou a libertação da antiga primeira ministra ucraniana Iulia Timochenko e lançou um apelo para uma justiça independente na Ucrânia.

«Saúdo a libertação de Timochenko. Uma justiça independente é essencial para uma Ucrânia democrática», escreveu Durão Barroso na sua conta no Twitter.

A líder da oposição ucraniana, condenada a sete anos de prisão em 2011 por abuso de poder, foi libertada este sábado.

Timochenko saiu da prisão horas depois do parlamento ucraniano ter votado uma resolução para a libertar «imediatamente».

A libertação de Timochenko era exigida pela União Europeia como condição para a negociação de um acordo de associação com a Ucrânia.

Figura emblemática da revolução laranja pró-ocidental de 2004, Timochenko, de 52 anos, concorreu às presidenciais de 2010, perdendo para Ianukovich.