Um político japonês que gerou debate sobre a licença de paternidade apresentou, esta sexta-feira, a demissão depois de admitir que teve uma relação extraconjugal enquanto a mulher estava grávida.

Kensuke Miyazaki, de 36 anos, do Partido Liberal Democrático, tornou-se, em janeiro, o primeiro deputado japonês a pedir licença de paternidade. A iniciativa, sem precedentes no país asiático, foi criticada pelos círculos mais conservadores, mas vista como um gesto importante na luta pela igualdade no Japão.

De acordo com o jornal britânico “The Guardian”, Miyazaki voltou agora a ser notícia, depois do tabloide japonês Shukan Bunshun ter publicado na quarta-feira uma foto que o mostra com uma mulher a sair de casa em Quioto. O mesmo tabloide afirma que a foto foi tirada dias antes da esposa, Megumi Kaneko, também deputada, ter dado à luz, a 5 de fevereiro.

Em conferência de imprensa transmitida ao vivo pela televisão japonesa, Kensuke Miyazaki desculpou-se pelo "comportamento inadequado" e anunciou que vai abandonar o cargo de deputado.

"Expliquei tudo à minha mulher e arrependo-me profundamente de lhe ter feito uma coisa tão cruel logo após o nascimento do nosso filho. Peço desculpa por todo o tumulto causado", admitiu o deputado enquanto se curvava para as câmaras e repórteres, após anunciar a demissão.

Miyazaki afirma ter conhecido a amante, uma modelo profissional de quimonos, quando esta o ajudou a vestir o quimono nas celebrações da abertura do Parlamento japonês, a 4 de janeiro.

"Lembro-me que nos encontrámos três vezes [depois disso]. A última vez que a vi foi em Quioto e já não mantemos contacto" disse Miyazaki na conferência de imprensa.

Kensuke Miyazaki tinha previsto desfrutar de um mês de licença de paternidade a partir de fevereiro.

Na altura, o gesto foi apoiado pelo Executivo japonês e estava em sintonia com a estratégia "Womenomics", impulsionada pelo primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe. A "Womenomics" apoia as mães trabalhadoras e fomenta a natalidade no Japão, um país onde a cultura de trabalho é muito conservadora e onde sete de cada dez mulheres deixa o mercado de trabalho após dar à luz.