O Grupo de Trabalho das Nações Unidas para as Detenções Arbitrárias determinou que Julian Assange deve ser libertado imediatamente e instiga o Reino Unido e a Suécia a compensarem o fundador do WikiLeaks.

A decisão do grupo de trabalho da ONU, que deu razão a Assange e considerou a detenção ilegal já foi conhecida informalmente ontem, mas o documento oficial só foi conhecido esta sexta-feira.

Numa conferência de imprensa organizada na embaixada do Equador, Julian Assange afirmou que “o Reino Unido tem estado a violar a lei” e congratulou-se pela justiça britânica e sueca terem “perdido”.

Assange espera agora que os dois países “cumpram” o veredicto das Nações Unidas, pois, caso contrário, “ao ignorarem a decisão, haverá repercussões diplomáticas para Suécia e Reino Unido”.

 

 

Numa fala cheia de jornalistas, Julian Assange, de 44 anos, terminou o seu depoimento de forma emotiva, agradecendo à ONU e à sua equipa e admitindo as “saudades da família”.

“Tenho tido muitas dificuldades para ver a minha família e os meus filhos”.

 

Os advogados de Assange, que classificaram a sua detenção como uma “tortura mental”, esperam, agora, que o fundador do Wikileaks recupere o seu passaporte australiano. 

 

Reino Unido e Suécia contestam decisão da ONU

 

Os governos dos dois países já criticaram a decisão das Nações Unidas. 

Londres já fez saber que vai contestar a decisão da ONU (que não tem caráter vinculativo) e recusa a ideia de que a sua estadia “voluntária” na embaixada do Equador seja uma detenção arbitrária.

“Isso [decisão do grupo de trabalho da ONU] não muda nada. Nós rejeitamos categoricamente a afirmação de que Julian Assange é vítima de uma detenção arbitrária”, indicou um porta-voz do executivo britânico, em comunicado.

O Reino Unido já comunicou às Nações Unidas que irá contestar formalmente a decisão do grupo de trabalho, acrescentou o mesmo porta-voz.

As autoridades suecas querem ouvir Assange por causa de acusações de violação que lhe são feitas por uma mulher e que datam de 2010. O fundador da WikiLeaks nega as acusações e recusa voltar à Suécia para ser interrogado.  

Julian Assange pediu asilo na embaixada do Equador, em Londres, em junho de 2012, e tem vivido lá desde então. O território diplomático evitou que fosse detido.