Aos 95 anos, o antigo médico alemão Hubert Zafke responde em tribunal sobre o seu papel na morte de 3.681 pessoas, no campo de concentração nazi de Auschwitz, entre agosto e setembro de 1944.  

Depois do julgamento ter sido adiado quatro vezes, por problemas de saúde do réu, o tribunal de Neubrandenburg, na Alemanha, reiniciou, nesta segunda-feira, as audições dos advogados de defesa e acusação de Hubert Zafke.

O crime ao qual o médico está, alegadamente, associado foi cometido durante um mês (de 15 de agosto a 14 de setembro de 1944), quando os nazis ordenaram a morte em massa dos prisioneiros de Auschwitz.

Hubert Zafke à chegada ao tribunal de Neubrandenburg

Segundo a acusação, o médico das SS trabalhou várias semanas na unidade de saúde daquele campo de concentração. Hubert Zafke nega a sua associação à morte de milhares de pessoas, argumentando que só tratava de soldados e membros das SS, nunca tendo interagido com os presos.

Os advogados de acusação afirmaram que, tal como os restantes guardas que se encontravam em Auschwitz naquele verão, Zafke tinha conhecimento da função que o campo adquirira como “um lugar de morte em massa a uma escala industrial”.

Últimos anos

As oportunidades para punir quem colaborou no genocídio nazi estão a escassear. Isto porque os últimos sobreviventes já têm mais de 90 anos, o que impossibilita, em grande parte, que sejam punidos com penas de prisão. Alguns julgamentos nem sequer tiveram início, como o de Ernst Tremmel, que morreu uma semana antes.

Em junho, um tribunal alemão condenou o ex-guarda de Auschwitz Reinhold Hanning, de 94 anos, a cinco anos de prisão por ter colaborado na morte de pelo menos 170 mil pessoas. Contudo, o condenado ainda não foi preso por ter sofrido um problema de saúde grave.

Outro tribunal no norte da cidade de Kiel decidiu, na passada sexta-feira, ilibar a arguida Helma M., de 92 anos, por considerar que vários problemas de saúde a incapacitavam de permanecer numa prisão. A mulher foi acusada de ser cúmplice da morte de 260 mil pessoas, enquanto era operadora da rádio SS, em Auschwitz.   

A decisão para se avançar com os últimos julgamentos só teve luz verde em 2011, quando os procuradores alemães decidiram analisar mais aprofundadamente os casos onde não havia evidências de envolvimento direto dos suspeitos nas mortes, decidindo, por isso, julgá-los por cumplicidade.