O julgamento de Luaty Beirão e de outros 16 ativistas angolanos deixou de poder contar, a partir desta terça-feira, com a presença de jornalistas na sala de audiência. 

Fonte do tribunal, citada pela Lusa, adiantou que depois, do acesso sem restrições na segunda-feira, no arranque do julgamento, os jornalistas só estão agora autorizados a acompanhar o caso na sala das audiências na fase das alegações finais e na leitura do acórdão, ainda sem datas marcadas.

Foram invocadas razões logísticas para esta decisão, tendo em conta a reduzida dimensão da sala de audiências do tribunal.

O julgamento dos ativistas angolanos, acusados de prepararem uma rebelião no país, foi assim retomado sem a comunicação social poder assistir. O  forte aparato policial, esse, mantém-se. 

Representantes de corpos diplomáticos acreditados em Luanda também voltaram hoje a não ter acesso ao julgamento, indicaram à Lusa fontes diplomáticas. O mesmo aconteceu com representantes da embaixada dos Estados Unidos, por falta de autorização.

Ontem, os próprios advogados dos ativistas começaram por ser impedidos de entrar na sala de audiências, eles que à TVI alegaram que o julgamento começou sem a defesa ter sido autorizada a consultar o processo. 

Luaty Beirão cumpriu uma greve de fome durante 36 dias, o que gerou uma onda de  solidariedade para com a sua causa e indignação em relação ao processo.

Com 33 anos, é um dos 16 jovens  em prisão preventiva desde junho e formalmente acusado desde 16 de setembro pelo Ministério Público angolano de atos preparatórios para uma rebelião e um atentado contra o Presidente angolano, José Eduardo dos Santos. Além dos 15 detidos, mais duas jovens estão em liberdade provisória.   

O ativista começou a greve de fome, por "vontade própria", por entender que os seus "direitos constitucionais" estão "a ser desrespeitados", exigindo - como prevê a lei angolana para o crime em causa - aguardar julgamento em liberdade.