O presidente do Partido Popular Europeu (PPE), Joseph Daul, disse este domingo que esta força política irá procurar «um compromisso» para que seja alcançada uma maioria no Parlamento Europeu e proporá Jean-Claude Juncker para presidente da Comissão Europeia.

As posições do presidente do PPE foram assumidas no Parlamento Europeu em Bruxelas, imediatamente após serem divulgadas as primeiras projeções, que dão a vitória ao PPE nas eleições europeias, com 211 eurodeputados num total de 751 lugares.

Daul defendeu que é preciso «prudência» face aos números, que só serão definitivos «provavelmente» na segunda-feira à tarde, mas que o maior partido político europeu irá propor formalmente o seu candidato, Jean-Claude Juncker, para presidente do executivo comunitário.

O até agora líder parlamentar do PPE, que abandona esse cargo e se manterá apenas como presidente do partido, congratulou-se com o ligeiro aumento da participação eleitoral na União Europeia (de 43% para 43,1%).

«No Parlamento Europeu é normal ser preciso trabalhar para conseguir maiorias», afirmou o francês, respondendo aos jornalistas, que como líder do partido mais votado terá a responsabilidade de iniciar uma ronda de negociações com as restantes forças políticas para tentar alcançar uma maioria.

O presidente do PPE confessou-se ainda «muito triste» com a vitória da Frente Nacional em França.

Socialistas e Liberais lembram que PPE tem que buscar maioria

Os Socialistas e os Liberais europeus, as segunda e terceira famílias políticas mais votadas nas eleições europeias, reconheceram a vitória do Partido Popular Europeu, mas advertiram que o futuro presidente da Comissão Europeia precisará de uma grande maioria.

Hannes Swoboda, líder parlamentar dos Socialistas, e Guy Verhofstaft, o candidato dos Liberais à presidência da Comissão Europeia, falando no hemiciclo de Bruxelas ¿ onde o Parlamento Europeu organiza o acompanhamento da noite eleitoral -, olhando constantemente para os ecrãs com as projeções avançadas pela assembleia, salientaram o facto de serem necessárias agora negociações para ver quem consegue formar uma grande maioria.

O líder dos Socialistas - que apresentava como candidato Martin Schulz - sublinhou o facto de o PPE ter registado uma «perda dramática» de assentos (na anterior legislatura detinha 273, e as projeções apontam agora para 211) e de o seu grupo encurtar assim a diferença (deve ter 193, praticamente o que tinha até agora, 196), admitindo que cabe naturalmente ao Partido Popular Europeu ser a primeira força a ter o direito de buscar uma maioria, mas alertando que os Socialistas também o farão.

Swoboda sustentou assim que se Jean-Claude Juncker, o candidato do PPE à sucessão de Durão Barroso, quiser de facto ser presidente da Comissão ¿ o que duvida, repetiu, referindo-se por mais de uma vez a uma alegada preferência do antigo primeiro-ministro luxemburguês pelo cargo de presidente do Conselho -, terá que aceitar a vontade dos Socialistas «de mudar as políticas na Europa» e afastar-se da austeridade, pois foi essa a mensagem dos eleitores.

Por seu turno, Guy Verhofstadt, apontou que os Liberais têm já «garantidos» 74 lugares mas podem chegar aos 90, dado decorrerem negociações com candidatos eleitos em seis Estados-membros para que integrem esta família política, salientando também que são necessárias agora negociações para decidir a presidência da Comissão Europeia.

Escusando-se a avançar cenários de uma possível maioria no futuro hemiciclo, Verhofstadt reafirmou apenas que, tal como defendeu «ao longo de toda a campanha», o próximo presidente da Comissão «terá que ser um dos candidatos» apresentado aos eleitores, caso contrário «todo este exercício terá sido apenas um joguinho».