A imagem vencedora do World Press Photo 2014 retrata emigrantes africanos na costa da cidade de Djibouti, à noite, elevando os telemóveis na tentativa de capturar uma rede de baixo custo da vizinha Somália. A chamada é a ténue ligação com os familiares que ficam, quando muitos partem à procura de uma vida melhor na Europa.

O fotógrafo premiado é o norte-americano, John Stanmeyer, nascido em Illinois, fundador da agência de fotografia VII Photo e fotógrafo de publicações como a Time e a National Geographic.

Os 19 membros do júri consideraram esta a melhor foto, tendo ainda distinguido outros fotógrafos nas oito categorias do concurso - questões contemporâneas, vida quotidiana, notícias gerais, notícias locais, retratos em pose, retratos do quotidiano, natureza e desporto.

A fotografia de John Stanmeyer venceu também o 1.º prémio na categoria Questões Contemporâneas, tratando-se de uma foto «que está relacionada com tantas outras histórias, incita ao debate sobre a tecnologia, globalização, migrações, pobreza, desespero, alienação e humanidade», explicou Jillian Edelstein, um dos membros do júri.

Para Susan Linfield, outro membro do júri, «há muitas fotos de emigrantes que os mostram como andrajosos e desesperados, mas esta fotografia é não só romântica como dignifica [os emigrantes]».

Ao World Press Photo deste ano concorrem 5.574 fotógrafos de 132 países, tendo apresentado 98.671 fotografias que foram avaliadas por um júri de profissionais, presidido por Gary Knight, um dos fundadores da VII Photo Agency, que se reuniu durante as duas últimas semanas em Amesterdão.

John Stanmeyer irá receber o prémio, no valor de 10.000 euros, em abril, na capital holandesa.

O fotógrafo, natural do Estado norte-americano do Illinois, foi um dos fundadores da VII Photo Agency, trabalhou nos últimos dez anos com a National Geographic e, de 1998 a 2008, com a revista Time, para a qual, entre outras matérias, registou a situação no Afeganistão, a luta dos guerrilheiros pela libertação de Timor-Leste e a queda do Presidente Hadji Suharto, da Indonésia.

Na categoria Vida Contemporânea, o vencedor foi Julius Schrank, com uma fotografia dos Guerrilheiros Kachin, na Birmânia, e, em Notícias Gerais, venceu Alessandro Penso, com uma foto intitulada «Acomodação Temporária».

Em Notícias Locais, venceu Philippe Lopez com uma fotografia dos refugiados do tufão Haiyan, numa procissão religiosa em Tolosa, na ilha de Leyte, no leste do arquipélago das Filipinas, enquanto em Desporto, a fotografia vencedora regista a queda do cavaleiro Pablo Mac Donnough, da equipa La Dolphina, durante uma partida de polo em Buenos Aires, e é da autoria de Emiliano Lasalvia.

Em Natureza, o vencedor foi Bruno D`Amicis que fotografou um feneco ou raposa do deserto, conhecido cientificamente como «vulpes zerda», enquanto em Retratos do Quotidiano, a vencedora foi Carla Kogelman, com a série «Ich bin Waldviertel» («Eu sou de Waldviertel»), dedicada ao dia-a-dia de duas irmãs, naquela região austríaca, na aldeia de Merkerbrechts.

No segmento Retratos em Pose, os vencedores foram Danila Tkachenko, com «Escape», uma série de fotografias de pessoas que decidiram viver sozinhas fora de uma comunidade, e Brent Stirton, que fotografou rapazes cegos indianos albinos.