Os principais atores do conflito sírio chegaram a acordo, na noite de quinta para sexta-feira, para uma “cessação as hostilidades” na Síria, dentro de uma semana, e um acesso intensificado dos civis à ajuda humanitária.

“Acordámos uma cessação das hostilidades em todo o país no prazo de uma semana”, disse o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, durante uma conferência de imprensa.

O acesso à ajuda humanitária vai ser alargado a uma série de cidades.

As negociações inter-sírias devem entretanto “recomeçar assim que possível”, acrescentou Kerry.

Os EUA e a Federação Russa vão controlar as “modalidades” de concretização desta cessação das hostilidades, acrescentou o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov.

Esta paragem das hostilidades envolve todos os grupos beligerantes, exceto “os grupos terroristas Daesh (acrónimo árabe para designar o grupo que se intitula como Estado Islâmico) e Al-Nosra (Al-Qaida)”, especificou Kerry.

Também decidimos acelerar e alargar o fornecimento de ajuda humanitária desde agora” a uma série de cidades cercadas, acrescentou o norte-americano, mencionando, entre outras, Deir Ezzor, no leste sírio, onde as forças lealistas estão cercadas pelo Daesh.

Um grupo de trabalho dirigido pela Organização da Nações Unidas vai reunir-se nesta sexta-feira em Genebra, para realizar a vertente humanitária, de que prestará contas semanalmente, precisou.

As negociações inter-sírias, suspensas no início de fevereiro, devido a uma ofensiva do regime, apoiado pela aviação russa, contra os rebeldes, devem entretanto “recomeçar assim que possível”, acrescentou Kerry.

Estas negociações devem realizar-se “sem ultimatos nem pré-condições”, sublinhou Lavrov.

Para o ministro britânico dos Negócios Estrangeiros, um acordo para travar o combate na Síria implica ainda uma “mudança de comportamento” por parte do regime do Presidente Bashar al-Assad e da sua aliada Rússia.

“Se implementado na totalidade (…) será um passo em frente no sentido de aliviar a morte e sofrimento na Síria”, disse Philip Hammond, em comunicado.