A Operação Hashtag deteve dez brasileiros suspeitos de compor uma célula terrorista internacional do Estado Islâmico, no país.

Segundo o jornal paulista Estadão, a justiça emitiu 12 mandados de prisão temporária por 30 dias podendo ser prorrogados por mais 30, precisamente o  período necessário para a conclusão dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, que começam dentro de duas semanas.

O próprio ministro brasileiro da Justiça, Alexandre de Moraes, citado pela imprensa dá conta que a operação foi desencadeada há duas semanas. 

A Operação Hashtag pretende investigar a possível ligação de brasileiros ao auto-intitulado Estado Islâmico. De acordo com uma nota da polícia federal, escutas telefónicas revelaram que os suspeitos e detidos "preconizam a intolerância racial, de género e religiosa, bem como o uso de armas e táticas de guerrilha para alcançar seus objetivos".

Estamos aqui para seguir um protocolo internacional de divulgação com absoluta transparência e para anunciar a operação da Polícia Federal. Foram presos dez indivíduos que passaram dos simples comentários sobre o Estado Islâmico para atos preparatórios. A partir do momento que começaram com atos preparatórios foi feita prontamente a atuação por parte do governo federal. O governo preparou simultaneamente prisões em dez estados desses terroristas que se comunicavam pela internet, por Telegram e Whastapp", disse o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes.

Citado por jornais brasileiros, o ministro da Justiça adiantou que alguns dos indivíduos estariam a tentar comprar armas automáticas AK-47, importadas do Paraguai.

É um assunto delicadíssimo, que exige a devida transparência. Porém, a transparência não pode afetar as investigações nem a sociedade. Qualquer nova informação relevante será passada à imprensa, para que não sejam divulgadas informações erróneas que levem ao pânico desnecessário", sublinhou o ministro.

Também uma nota oficial da 14ª Vara Federal de Curitiba, no Estado do Paraná, refere que “a Operação "Hashtag", deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira (21/7), investiga possível participação de brasileiros em organização criminosa de alcance internacional, como uma célula do Estado Islâmico no país”.

Recentemente, a organização norte-americana SITE, que se dedica ao rastreio de informações sobre as atividades do Daesh, deu conta de existirem brasileiros a contatarem com o auto-intitulado Estado islâmico através de várias redes na Internet.

Um grupo não organizado

De acordo com informações do ministro brasileiro da Justiça comunicadas à imprensa, os detidos manteriam conversas online mas não se conheciam pessoalmente.

A emissão dos mandados de busca pela Justiça Federal do Paraná deveu-se ao facto de o presumível líder do grupo ser da cidade de Curitiba.

Atuando pela primeira vez ao abrigo da Lei Antiterrorismo, que permite emitir mandados de prisão por atos preparatórios, a Polícia Federal agiu e deteve os dez indivíduos, todos brasileiros e todos maiores de idade.

Os dois atos preparatórios que levaram às detenções foram apenas o treino em artes marciais e em tiro, além da tentativa de um dos elementos de importar uma metralhadora do Paraguai.

Não havia nenhum alvo específico até agora determinado pelo grupo suspeito de terrorismo", de acordo com o ministro Alexandre de Moraes, que assegurou que dois dos detidos já tinham sido “condenados e cumpriram seis anos por homicídio."

Era uma célula absolutamente amadora, sem nenhum preparo. Uma célula organizada não iria procurar comprar uma arma pela internet", sublinhou o ministro.

Não era uma célula organizada, quando partiu a ordem de treinamento, era para que cada um cuidasse por si. Continuo com a mesma avaliação, temos de tomar muito mais cuidado com a segurança pública do que com a possibilidade de terrorismo”, concluiu Alexandre de Moraes.