O presumível autor do homicídio da deputada trabalhista britânica Jo Cox é “apoiante devoto” de um grupo neonazi com base nos Estados Unidos, informou na quinta-feira uma organização não-governamental (ONG) de defesa dos direitos cívicos.

Segundo o Southern Poverty Law Centre, o atirador identificado pelos meio de comunicação britânicos como Thomas Mair, tem uma “longa história com o nacionalismo branco”. 

De acordo com os arquivos obtidos pelo Southern Poverty Law Centre, Mair era um adepto devoto da Aliança Nacional, que durante décadas foi a organização neonazi mais importante dos Estados Unidos”, informou a ONG, que monitoriza grupos extremistas com o objetivo de “combater o ódio”, através da sua página de Internet.

O irmão de Mair corrobora, no entanto, estas informações, afirmando que o suspeito nunca se mostrou violento nem teve qualquer filiação política. Scott, de 49 anos, adiantou ao jornal The Telegraph, que o irmão tem um histórico de problemas mentais.

Estou a lutar para acreditar no que aconteceu. Ele tem um histórico de doença mental, mas já teve ajuda”.

O homem de 52 anos, que foi detido no local do crime, é descrito pelos vizinhos como “solitário” e “discreto”, um homem que gosta de jardinagem e faz alguns biscates.

De acordo com o The Guardian, Mair cresceu em Birstall, a 15 minutos a pé do local onde a deputada foi morta. O suspeito foi educado pela avó materna, que morreu em 1996, e nunca foi casado ou teve filhos.

Desde então vive sozinho e, segundo os vizinhos, não costuma receber visitas.

Sabe-se ainda que Thomas Mair assumiu, num artigo publicado há seis anos, que trabalhar como voluntário era benéfico para os seus problemas de saúde mental.

Posso dizer honestamente que me fez melhor do que toda a psicoterapia e medicação do mundo", contou ao jornal Huddersfield Daily Examiner em 2010. “Quando terminamos há um sentimento de realização que é emocionalmente e psicologicamente gratificante.”

A deputada trabalhista britânica Jo Cox, 41 anos, não resistiu aos ferimentos após ter sido atingida a tiro e apunhalada em plena rua, esta quinta-feira, na cidade de Birstall, norte de Inglaterra. As motivações do crime não são conhecidas oficialmente, mas a deputada estava a fazer campanha pela permanência do Reino Unido na União Europeia. Este é o mais dramático sinal de como as posições estão extremadas sobre o referendo de dia 23.

A morte de Cox motivou a suspensão de todos os atos de campanha que estavam previstos para esta quinta-feira, enquanto o primeiro-ministro conservador David Cameron anulou a sua participação num comício em Gibraltar para defender a opção da permanência e evitar o designado 'Brexit'.

O diário britânico The Guardian considera esta sexta-feira em editorial que o homicídio violento da deputada trabalhista Jo Cox, na quinta-feira, constitui um "ataque à humanidade, idealismo e democracia".

"Qualquer crime mancha o ideal de uma sociedade ordeira, mas quando o crime é cometido contra as pessoas que são escolhidas pacificamente para escrever as regras, então a afronta ainda é mais profunda", sublinha.

O texto refere que a deputada, que defendia uma sociedade multicultural, morreu numa altura em que o discurso político faz referências à xenofobia, mencionando a campanha do referendo à saída britânica da União Europeia (‘Brexit’) e o cartaz do UKIP contra a imigração revelado na quinta-feira.