Novos protestos contra o reconhecimento pelos Estados Unidos de Jerusalém como capital de Israel causaram hoje dois mortos e vários feridos nos territórios palestinianos, indicaram as autoridades sanitárias.

Zakaria al-Kafarneh, 24 anos, e um outro homem não identificado foram atingidos ambos no peito por balas israelitas, na faixa de Gaza, tornando-se o nono e décimo palestinianos mortos nas violências causadas pela decisão norte-americana anunciada a 6 de dezembro.

Morreram em confrontos distintos no norte e leste do enclave palestiniano junto à barreira de segurança que separa o território de Israel, indicou o Ministério da Saúde do governo de Gaza.

Seis palestinianos foram feridos por balas reais durante concentrações nas quais participaram centenas de pessoas, que lançaram pedras aos soldados colocados do outro lado da referida barreira, adiantou.

Os soldados ripostaram com granadas de fumo e tiros com balas de borracha e reais, constataram jornalistas da agência France-Presse.

O movimento radical islâmico Hamas, que governa o território sob bloqueio, tinha apelado a uma nova jornada de protesto após as orações de hoje.

Os confrontos entre palestinianos e forças israelitas também ocorreram na Cisjordânia ocupada e pelo menos cinco palestinianos foram feridos com balas reais, segundo o Crescente Vermelho, que disse ter tratado dezenas de pessoas.

Em Jerusalém, os incidentes ocorreram na Cidade Velha, depois de dezenas de milhares de pessoas terem participado na oração semanal na Esplanada das Mesquitas.

A decisão unilateral do Presidente Donald Trump de “voltar as costas” a decénios de diplomacia norte-americana e internacional provocou manifestações e confrontos quase diários nos territórios palestinianos, que causaram centenas de feridos e levaram a dezenas de detenções.

Também originou manifestações em vários países árabes e muçulmanos e ainda hoje centenas de jordanos se manifestaram diante da embaixada dos Estados Unidos em Amã.

Os manifestantes, com cartazes declarando “Jerusalém capital eterna da Palestina”, gritaram ‘slogans’ contra o Presidente Donald Trump.

A questão de Jerusalém é uma das mais delicadas do conflito israelo-palestiniano.

Israel, que ocupa Jerusalém oriental desde 1967, declarou, em 1980, toda a cidade como a sua capital indivisa.

Os palestinianos querem fazer de Jerusalém oriental a capital de um futuro Estado palestiniano.