A baixa natalidade na Europa é culpa de todos os que concordam que as “mulheres trabalhem em vez de ficarem em casa”. A frase é do eurodeputado polaco Janusz Korwin-Mikke, que aproveitou um debate no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, na segunda-feira à noite, para tornar pública a opinião que tem sobre o papel da mulher na sociedade.

Janusz Korwin-Mikke, sublinha o jornal espanhol El País, é muito conhecido pelos comentários racistas e machistas no Parlamento Europeu e, em tempos, já tinha causado indignação ao afirmar que as mulheres devem ganhar menos do que os homens porque “são mais fracas, mais pequenas e menos inteligentes”. A seguir ao ataque terrorista contra o jornal satírico Charlie Hebdo, em Paris, o eurodeputado também causou polémica ao exibir um letreiro a dizer "Eu não sou Charlie - sou pela pena de morte". 

Desta vez, o polaco aproveitou o debate sobre a política de coesão europeia, numa hora já tardia de segunda-feira, para voltar a expressar o machismo pelo qual é conhecido. O Parlamento Europeu debatia a natalidade e o impacto na demografia do continente europeu, que é o mais envelhecido de todos, quando Janusz Korwin-Mikke pediu a palavra para dizer que ninguém estava a abordar o problema da forma correta.

As mulheres não ficam em casa. Não têm crianças. Todos se empenham tanto para que a mulher trabalhe fora de casa. Se não resolvermos isto, não faz sentido debater", afirmou.

A Comissária Europeia para a Política Regional, Corina Cretu, presente no debate, respondeu com indignação: "É inadmissível ouvir este tipo de afirmação sobre as mulheres no lugar onde a democracia da UE reside".

A eurodeputada socialista espanhola Iratxe García reforçou: "A igualdade é um valor fundamental para a UE e não podemos permitir mensagens discriminatórias contra as mulheres, que somos metade da União Europeia".

Já esta terça-feira durante a votação do dossiê, a eurodeputada do PSOE pediu que Korwin-Mikke seja sancionado de alguma forma.

É um insulto às mulheres, que decidimos ser livres", protestou, com veemência, Iratxe García, cujas palavras foram recebidas com aplausos.

Mas houve quem não aplaudisse e defendesse o eurodeputado polaco. Foi o caso de Bruno Gollnisch, da Frente Nacional, o partido de extrema-direita francês dirigido por Marine Le Pen. Gollnisch explicou que o fazia não por acreditar nas palavras de Korwin-Mikke, mas pela "inquietante deriva repressiva" do Parlamento Europeu e da ideia de sancionar um eurodeputado.

Entretanto, Janusz Korwin-Mikke já reagiu e assegurou que o pedido de sanção de Iratxe García é "algo escandaloso: opor-se à liberdade de expressão". O eurodeputado já teve de lidar com as consequências dos comentários que fez no início de março, quando se referiu à alegada inferioridade física e intelectual das mulheres: foi sancionado com a perda de um suplemento salarial durante 30 dias (9.180 euros no total), foi impedido de trabalhar durante 10 dias e de representar o Parlamento Europeu em qualquer ato durante um ano.

Janusz Korwin-Mikke é presidente do Wolnosc, um partido de extrema-direita. Foi deputado na Polónia entre 1991 e 1992 e eleito para o Parlamento Europeu em 2014, não tendo aderido a qualquer grupo.