O ex-diretor do FBI, James Comey, que foi demitido no mês passado, disse, nesta quinta-feira, ao Senado norte-americano que não tem dúvidas de que "a Rússia interferiu nas eleições presidenciais norte-americanas", ganhas por Donald Trump.

Interferiu com intenção e sofisticação", especificou.

James Comey diz mesmo que ficou "confuso" quando ouviu na televisão o presidente dos Estados Unidos dizer que tinha sido despedido por causa das investigações à Rússia, quando Trump, contou aos senadores, repetidamente lhe dizia que ele estava "a fazer um bom trabalho".

Quando fui nomeado diretor do FBI em 2013, sabia que ia servir as vontades do presidente. A 9 de maio, quando soube que tinha sido despedido, imediatamente regressei a casa como um cidadão normal. Mas depois as explicações e as alterações nas explicações deixaram-me confuso e cada vez mais preocupado", afirmou.

O ex-diretor do FBI acredita que Trump despediu-o "por causa da investigação à Rússia", apesar de o presidente nunca lhe ter pedido para parar a investigação, e acusa a administração de difamá-lo e também ao FBI.

Eram mentiras, pura e simplesmente", argumentou, garantindo aos americanos que o "FBI é honesto, forte e será sempre independente".

Para Comey, as conversas com Trump foram sempre "muito perturbadoras" e que desde cedo percebeu que "chegaria o dia em que precisaria de uma gravação (conversa gravada)" para se poder defender e para "defender a integridade do FBI".

O ex-diretor do FBI destacou o encontro privado com o presidente a 6 de janeiro, assumindo que ficou preocupado que ele pudesse mentir sobre o que conversaram.

Comey tomou, por isso, notas da conversa, algo que nunca tinha feito com Barack Obama ou George W. Bush, por "não sentir necessidade". O que não aconteceu com Trump.

Fiquei muito preocupado de que ele pudesse mentir sobre a natureza do nosso encontro", contou.

Confrontado com a possibilidade de Donald Trump ter gravado os encontros com o então diretor do FBI, James Comey pede então que "divulgue todas as gravações".