"Tem a certeza? Tem coragem para ver?”. Foi com estas palavras que Silvio Berlusconi apresentou a sala onde alegadamente decorriam as orgias e as festas com prostitutas, na mansão de Milão, quando o antigo jornalista Alan Friedman preparava a biografia do ex-primeiro-ministro italiano.

 
O antigo correspondente do Financial Times entrou na sala onde teria havido espetáculos de striptease e prostitutas mascaradas de freiras e de polícias. Pelo menos foi isso que lhe contaram algumas das modelos que terão participado nas festas de Berlusconi e que aceitaram falar para a biografia.
 
Berlusconi, porém, nega “indignidades” nas festas. Diz que eram soirées à luz de vela. Festas elegantes e respeitosas, onde toda a gente se mantinha vestida.
 
“É apenas uma sala de jantar, onde tenho as minhas  soirées. Promovo jantares aqui há 30 anos e continuo a fazê-lo”, explica o antigo primeiro-ministro de Itália.
 

A garantia de David Cameron à mulher

 
O livro “ My Way” (“À Minha Maneira”, em português) conta também uma anedota que envolve o primeiro-ministro britânico. Conhecedora da fama das festas de Berlusconi, a mulher de David Cameron terá ficado preocupada, quando, em 2010, o marido se deslocou a Itália para um jantar de Estado com Silvio Berlusconi.
 
“Não te preocupes, Samantha, eu certifico-me de que algum assessor me obriga a sair do  jacuzzi antes de as prostitutas chegarem”, terá dito Cameron à mulher para a tranquilizar.
 

“Nunca toquei na Ruby com um dedo”

 
No livro, de acordo com o jornal britânico The Telegraph, Berlusconi fala também do caso que o levou à barra dos tribunais e lhe valeu uma condenação a sete anos de cadeia (foi libertado após apresentar recurso). O caso de Ruby, a prostituta marroquina menor de idade, com quem Berlusconi terá tido relações sexuais foi negado pelo ex-primeiro-ministro.
 

“Sempre disse que nunca toquei na Ruby. Nunca lhe toquei com um dedo. Ela sempre o disse e nunca ninguém viu nada. Para provar que teve lugar sexo é preciso haver uma prova, uma fotografia, um vídeo, uma testemunha, no mínimo. Mas não há nada. É tudo uma invenção!.”

 
Mas Berlusconi não se escusa a tecer comentários à personalidade da jovem: “dizia sempre a toda a gente que tinha 24 anos. E, sem dúvida, tinha aspeto disso.”
 
“Era muito inteligente e sabida, porque tinha tido uma vida muito difícil”, sublinha Berlusconi, sobre a jovem apelidade de “Ruba Corações”.