Por: Redacção / CP | 18- 1- 2012 13: 4
O comandante do Costa Concordia garante que escorregou durante a evacuação do navio e que caiu num salva-vidas, justificando
desta forma o abandono prematuro do cruzeiro.
Francesco Schettino foi ouvido durante três horas esta terça-feira
e os pormenores do interrogatório são esta quarta-feira divulgados pelo «La Repubblica».
«De repente, com o navio
num ângulo de 60-70 graus, tropecei e acabei por cair num dos barcos. Foi assim que fui parar a um salva-vidas», afirmou,
aos magistrados.
O italiano de 52 anos contou que estava a ajudar os passageiros a colocar os coletes e que até deu
o seu. «Estava a tentar encaminhá-los para os salva-vidas ordeiramente», acrescentou.
Schettino assegurou que ainda
tentou regressar ao Costa Concordia, mas que foi «bloqueado» pelos outros barcos.
O comandante admitiu, no entanto,
o seu erro, ao aproximar-se demasiado da ilha de Giglio.
«Cometi um erro na abordagem. Eu conhecia as profundidades,
porque já tinha feito esta manobra três ou quatro vezes. Mas, desta vez, ordenei que o barco virasse tarde demais e acabámos
em águas rasas. Não sei o que aconteceu, fui vítima dos meus instintos», explicou.
Francesco Schettino nega ter consumido
álcool ou drogas na noite do desastre e acredita que salvou muitas vidas ao ainda ter conseguido aproximar o cruzeiro de terra
firme.
O comandante do Costa Concordia está em prisão domiciliária e pode ser condenado até 15 anos de prisão.
«Graves
indícios de culpabilidade»
A juíza italiana que decidiu colocar o comandante sob prisão domiciliária encontrou
«graves indícios de culpabilidade» contra ele, nomeadamente não ter tentado subir a bordo durante a evacuação do navio naufragado.
A
presença no navio de «outros membros do pessoal e oficiais que desenvolviam esforços para retirar os passageiros desmente
objectivamente as declarações do comandante sobre a impossibilidade de dirigir os procedimentos de emergência e socorro»,
escreveu a juíza Valeria Montesarchio na fundamentação da sua decisão, citada pelos media italianos.
A magistrada
considerou também que Francesco Schettino não fez «nenhuma tentativa séria» para regressar «pelo menos para perto do navio»,
depois de o ter abandonado em pleno processo de evacuação. Depois de descer, escreveu a juíza, o comandante permaneceu durante
horas nas rochas a assistir às operações de salvamento.
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