O presidente turco regressou a Istambul pouco depois de o porta-voz da presidência anunciar o fim da tentativa de golpe militar. Momentos depois de aterrar no aeroporto de Ancara, o Tayyip Erdogan falou à imprensa e considerou que a tentativa de golpe é como um “presente de Deus” que permitirá “limpar” o Exército.

Este levantamento, este movimento é um grande presente de Deus para nós, porque o exército será limpo”, disse, em conferência de imprensa, pouco depois de aterrar em Istambul, assegurando que os golpistas vão pagar caro pela sua “traição”.

Num balanço, que ocorreu cerca das 3:00 da manhã de sábado (hora de Lisboa), o primeiro-ministro turco garantiu haver já cerca de 120 detidos, entre as forças revoltosas.

Garantindo que a Turquia "não é mais a velha Turquia", Erdogan revelou que durante o golpe alguns militares estavam sob ordens da Pensilvânia, numa referência ao imã Gullen, um escritor e líder religioso, opositor político do regime de Ancara, refugiado nos Estados Unidos.

A Turquia não pode ser governada a partir da Pensilvânia. As minorias responsáveis no exército turco vão pagar um preço muito elevado”, afirmou.

Na curta declaração, Erdogan afirmou ainda que não vai "a lado nenhum" e que se manterá firme ao lado do seu povo. Antes, revelou que os revoltosos bombardearam o hotel onde esteve durante as horas de crise, localizado na costa do mar Egeu, já depois de ter saído de lá.

 

Tentativa de golpe não é aceitável

O chefe do Partido Nacionalista Turco (MHP) Devlet Bahceli telefonou para primeiro-ministro turco Binali Yildirim e disse que a tentativa de golpe não é aceitável.

De acordo com um comunicado, citado pela agência turca Anadolu, Bahceli disse que o partido está solidário com a República da Turquia.

Mais tarde, numa declaração por escrito, Bahceli disse que a tentativa de suspender a democracia, ignorando a vontade nacional, é um grande erro contra a Turquia.

O preço que a Turquia pagará será consideravelmente alto, em caso de uma guerra civil na Turquia. Como turco, precisamos distanciar-nos de todo o tipo de intervenções que coloquem em risco a nossa unidade e integridade nacional", disse.