O líder ismaelita, Aga Khan, considerou esta terça-feira Portugal "um país de oportunidade", cuja visão pluralista se revelou ao longo da História e mais recentemente nos "fortes papéis" desempenhados na ONU, na UNESCO, na Comissão Europeia e na OIM.

"Esta visão pluralista tem vindo a ser refletida em muitos momentos, ao longo da História portuguesa, e tem sido expressada de uma forma poderosa, na recente emergência deste país no plano global, como influenciador", disse o líder dos ismaelitas ao discursar o parlamento português.

Aga Khan citou, "apenas para mencionar alguns exemplos", o que classificou como "fortes papéis desempenhados pela liderança portuguesa" nas Nações Unidas e na UNESCO, na Comissão Europeia e - desde a semana passada - na Organização Internacional para as Migrações (OIM).

O líder ismaelita, Aga Khan, disse que vai "orgulhosamente" começar a transferir serviços da sua fundação para o histórico Palacete Mendonça, em Lisboa, onde instalará o Departamento para os Assuntos Diplomáticos.

Ali ficará também o "Departamento para as Instituições do Jamat", referiu, avançando que está também a planear organizar em Lisboa o próximo encontro anual do Conselho do Centro Global para o Pluralismo, bem como a cerimónia inaugural do Prémio Aga Khan para a Música. "E muito mais se seguirá", prometeu.

E assim os nossos planos avançam. Sabemos que enfrentamos um futuro desafiante, mas à medida que olhamos para estas exigências, o Imamat Ismaili fortalecer-se-á a partir do nosso sentido permanente de parceria contínua, com o povo e com o governo de Portugal", declarou Shah Karim al Hussaini, príncipe Aga Khan, na sessão que decorreu na Sala do Senado.

Aga Khan deu conta destes planos depois de recordar o passado partilhado entre os dois povos e a assinatura de um acordo, em 2015, para estabelecer em Lisboa a nova sede do Imamat Ismaili (imamato ismaelita).

A Fundação Aga Khan estabeleceu-se em Portugal nos anos 1980 e em 1998 surgiu o Centro Ismaili de Lisboa.

Os ismaelitas são hoje uma comunidade "altamente diversificada", a viver em mais de 25 países, disse.

O líder ismaelita foi hoje recebido com honras protocolares na Assembleia da República, onde depois de cumprimentar os deputados assinou o livro de honra, posou para a tradicional "foto de família", e teve um encontro reservado com o presidente do parlamento, Ferro Rodrigues.

Tudo depois de uma rigorosa vistoria de segurança no interior do parlamento, em que foram usados cães, antes da entrada do convidado e comitiva.

No final da conferência que decorreu na Sala do Senado, foi inaugurada no Salão Nobre a exposição "Ideias de liderança: obras-primas das coleções do Museu Aga Khan".

A visita a Portugal inclui encontros com o Presidente da República, Marcelo de Sousa, com o primeiro-ministro, António Costa e uma vista ao futuro Imamat Ismaili, a sede mundial dos ismaelitas.

Shah Karim al Hussaini, princípe Aga Khan, 49.º imã hereditário dos muçulmanos ismaelitas, escolheu Portugal para o encerramento das comemorações dos seus 60 anos como líder espiritual dos "shia ismaili" e vai ter residência oficial no país.

Numa sessão no Salão Nobre, em que esteve ao lado do presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, e do presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, Aga Khan definiu Portugal como "o local ideal" para concluir as celebrações do aniversário do jubileu de diamante, 60 anos como imã dos muçulmanos shia ismaili.