O primeiro-ministro da Islândia está implicado no escândalo de corrupção mundial Papéis do Panamá - que está a ser divulgado pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação, a que a TVI também pertence - e as suas declarações do passado sobre offshores estão agora a ser usadas como incentivo à sua demissão.

Sigmundur David Gunnlaugsson chegou ao poder depois da crise financeiro da Islândia – os três maiores bancos colapsaram nessa altura, em poucos dias -  e escondeu até hoje as suas ligações a offshores. 

Percebe-se agora que as suas declarações do passado tinham algo encoberto. Em 2014, perante o Parlamento, ao responder a perguntas sobre como é que o seu governo iria combater quem recorria a empresas ossfhores para ocultar riqueza, o governante mostrou-se vago e reticente ao responder.

Chegou mesmo a não ver grande interesse em obter informações sobre as offshores, duvidando de que isso fosse algo “prático e útil”. Ora, isto porque ele próprio tem, segundo esta investigação, segredos por revelar nesta matéria.

Cá estão eles, segundo o Papéis do Panamá: antes de chegar ao poder, Sigmundur David Gunnlaugsson liderou um grupo que fazia campanha para que a Islândia rejeitasse a ajuda de credores internacionais que tinham milhões de dólares nos bancos islandeses. Isso foi um trampolim para vir a ser eleito pelo Partido Progressista em 2009, primeiro, e como primeiro-ministro em 2013. Prometeu nessa altura um braço de ferro com os credores estrangeiros, aliviar a dívida e encerrar o programa de austeridade. Mais, no ano passado, chegou até a acordo com crredores que foi criticado pelo grupo InDefence que liderou no passado.

Ora, sabemos agora que o primeiro-ministro islandês e a sua família tiveram interesses ocultos nessa negociação com os credores. E é aqui que chegamos ao Papéis do Panamá: em dezembro de 2007, ele e a esposa compraram a Wintris Inc. da Mossack Fonseca – a fuga de informação dos 11 milhões de documentos do escândalo de corrupção mundial Papéis do Panamá vem daqui.

E comparam-na através de uma filial, no Luxemburgo, do Landsbanki, precisamente um dos três bancos islandeses que faliram. A Wintris foi usada como uma empresa de fachada para investir milhões de dólares em investimentos aplicados nos bancos e decorrentes de heranças por meio de empresas offshores.

E o primeiro-ministro islandês não declarou isso quando assumiu o cargo e vendeu metade da empresa à sua mulher por apenas um euro, oito meses depois.

Por tudo isto, Gunnlaugsson enfrenta pedidos para que se demita. Diz que não infringiu regra nenhuma. Recentemente, numa entrevista à televisão sueca SVT, negou ter património escondido. Mas, quando confrontado pelo jornalista com o nome da empresa offshore a que está ligado, reagiu mal, dizendo que as perguntas eram estranhas, parecendo que continham em si uma acusação. Pouco depois, incomodado, decidiu pôr fim à entrevista.

Na lista comprometedora do Papéis do Panamá, há um empresário português, que está a ser investigado no âmbito da operação Lava Jato. É o primeiro nome luso conhecido, mas a TVI sabe que há outros cidadãos e instituições envolvidas. A seu tempo serão divulgados.