É uma história com um final que ninguém esperava, mas cujo início ficou marcado por um clima de suspeitas gerado pelos recentes ataques terroristas no mundo ocidental. Uma passageira receou pela vida e pela vida do filho de 11 anos, porque estava sentada ao lado outra passageira com um véu islâmico, que escrevia uma mensagem onde se podia ler a palavra “Alá”. Foi um susto que acabou numa amizade.

Jiva Akbor viajava de Glasgow, na Escócia, para Málaga, em Espanha, quando se deparou com uma situação de pânico por parte da vizinha do lado. Akbor é muçulmana e segue as tradições da religião, como é o caso do uso de hijab. Adicionando a esse facto, a outra protagonista da história, Beverley, não conseguiu desviar o olhar de uma mensagem que estava a ser enviada por Jiva e onde esta escreveu “Alá”. Ao deparar-se com o que acabara de ler, a escocesa começou a entrar em pânico por pensar que aquela era uma mensagem de despedida e que Jiva seria uma terrorista.

A muçulmana publicou no Facebook um longo texto onde explica o sucedido e descreve o primeiro momento, em que a escocesa se levanta do seu assento e vai alertar a assistente de bordo para o que acabara de ler.

Olhei para a sua cara e ela estava em pânico, claramente perturbada e não voltou imediatamente para o lugar”, escreveu Jiva.

Depois de Beverley se recusar a voltar ao seu lugar, confrontou Jiva dizendo que a tinha visto a escrever uma mensagem e que nessa mensagem se podia ler a palavra “Alá”. Nesse momento, a escocesa começa a chorar e Jiva vê-se obrigada a justificar a mensagem: “Não me lembro exatamente o que disse na mensagem, mas acho que só disse a palavra Deus em árabe”.

Os comissários de bordo alertaram Beverley para o facto de não haver mais lugares no voo e por isso ela poderia escolher entre permanecer naquele lugar ou abandonar a aeronave. A mulher voltou a sentar-se, mas continuava a revelar nervosismo.

Com o objetivo de acalmar a passageira, a muçulmana explicou que tinha enviado uma mensagem a uma amiga que vivia em Londres e que tinha sido roubada, dizendo que “Deus faria com que tudo corresse bem”.

Sendo uma mulher de crença, é normal que invoque Deus nas conversações”, disse Jiva.

Quinze minutos depois de iniciar a conversação, Beverly revelou ser também religiosa e que seguia a fé católica. As duas mulheres falaram mais até a escocesa confessar que o ataque de pânico tinha sido um ato errado e que Jiva não passava de uma cidadã inglesa que viajava para Espanha, como tantos outros passageiros do voo.

Tudo terminou da melhor forma, com as duas passageiras do voo Glasgow-Málaga a conversarem durante toda a viagem. Partilharam a cultura, a religião e as experiências pessoais, chegando até a trocarem os números de telefone.

A publicação de Jiva no Facebook já tem mais de sete mil gostos e cerca de oito mil partilhas. Alguns comentários apelam à tolerância e sublinham que o extremismo islâmico representa uma pequena parte da religião muçulmana.