O atentado no aeroporto de Istambul na noite de terça-feira, que o primeiro-ministro Binali Yildirim suspeita ser da responsabilidade do Estado Islâmico ou Daesh, é apenas mais um episódio de uma série de instabilidade e violência que marca a história recente da Turquia.

Em Outubro do ano passado, dias antes das eleições, o maior atentado na história da Turquia foi atribuído ao Estado Islâmico. Morreram 95 pessoas numa dupla explosão ocorrida próximo de estação central de comboios na capital Ancara, na altura em que começava uma marcha a favor da paz. Cerca de 246 outros manifestantes ficaram feridos.

O apoio da Turquia, membro da NATO desde 1952, às forças militares ocidentais nas operações levadas cabo na Síria e no Iraque tornou o país alvo de ações violentas do ISIS ou Daesh, como o governo de Ancara intitula os radicais islâmicos.

Além do apoio às operações militares das forças lideradas pelos Estados Unidos, analistas consideram que o acolhimento pela Turquia de milhões de refugiados chegados da Síria tem facilitado operações violentas do ISIS.

A perseguição a elementos do Daesh potencialmente infiltrados entre os refugiados tem sido levada a cabo pelo governo do presidente turco Recep Erdogan. Segundo analistas, o ISIS tem respondido com atentados, procurando desestabilizar o país e atacar uma das grandes fontes de receita da Turquia, que é o turismo.

Curdos também atacam

País charneira entre a Europa e a Ásia, a Turquia vive uma histórica divergência com a etnia curda, que representa cerca de 20% da população do país, segundo o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) que luta pela criação de um estado independente.

O conflito entre a Turquia e o PKK dura há cerca de 30 anos e terá causado mais de 30 mil mortos.

O fracasso de negociações no ano passado entre o governo turco e o PKK levou ao reacender das hostilidades. Já este mês, os independentistas reivindicaram um atentado suicida contra a sede da polícia de Midyat, cidade do sudeste da Turquia. Na véspera, em Istambul, um outro atentado provocara seis mortos incluindo três polícias, tendo sido reclamado pelo TAK, o grupo Falcões pela Liberdade do Curdistão.

Ainda mais inimigos

Considerada como uma fação dissidente do PKK, o TAK assumiu a responsabilidade de outros atentados, dois dos quais, em fevereiro e março, que mataram dezenas de pessoas em Ancara.
Sinal de que o nacionalismo curdo continua a ser uma pedra no sapato das autoridades turcas é também a ação do YPG, a ala militar do Partido da Unidade Democrática, um associado sírio do PKK.

Os operacionais do YPG têm sido um bom suporte no terreno para as forças ocidentais na luta contra as posições do intitulado Estado islâmico, um aliança estratégica que desagrada ao governo do presidente Erdogan.