O exército iraquiano, com ajuda da força aérea norte-americana, reconquistou, esta sexta-feira, a cidade de Falluja, oeste do Iraque, que estava nas mãos do Estado Islâmico (EI) há dois anos.

Falluja estava há várias semanas debaixo de fortes combates entre os combatentes do EI e as forças iraquianas, auxiliadas pela coligação internacional.

Os jihadistas já só controlam “uma pequena parte” da cidade, afirmou esta sexta-feira o primeiro-ministro iraquiano, Haider al-Abadi.

“Nós prometemo-vos a libertação de Falluja e recuperámo-la [a cidade]. As nossas forças de segurança controlam a cidade, à exceção de uma pequena parte, cuja segurança precisa ainda de ser garantida nas próximas horas”, disse al-Abadi numa breve declaração à televisão pública iraquiana.

À medida que o EI recuou na cidade, alguns habitantes conseguiram sair e a Associated Press refere que muitas dessas pessoas foram autorizadas a passar os limites de Falluja porque levaram familiares dos combatentes do Estado Islâmico que continuaram na linha da frente.

Eles obrigaram-nos a ficar até conseguirmos trazer familiares e crianças do EI connosco", disse Ali al-Mohammadi, residente em Falluja, explicando que esse era o preço para puderem abandonar a cidade.

As organizações internacionais estimam que ainda permaneçam cerca de 50 mil civis naquela cidade.

O comandante Haidar al-Obeidi revelou, em declarações à AP, que as suas tropas estão a tentar reconquistar o hospital local, para onde o grupo extremista fugiu depois das invasões militares.

Conforme explicou o responsável, os bairros circundantes ao complexo governamental serviam de base militar, com armazéns de armamento e centros de comando. Depois de serem reconquistados todas as zonas, as tropas iraquianas movimentaram-se até ao centro da cidade e tomaram posse do principal centro de comando do EI.

Os próximos passos da operação estão focados na desativação de bombas, colocadas junto do complexo de governo pelos militares islâmicos. Os militares têm inspecionado vários edifícios públicos como escritórios municipais e esquadras da polícia à procura de explosivos. 

Também estão a decorrer trabalhos para o desbloqueamento da estrada que liga Falluja e Bagdad, a capital do Iraque. 

Segundo dados da Organização da Nações Unidas, cerca de 42 mil pessoas fugiram de Fallujah desde a conquista iraquiana, que se início no passado mês de maio. Outras organizações, como os Médicos Sem Fronteiras e o Conselho Norueguês de Refugiados apontam para um número inferior, perto dos 30 mil.

O conflito no Iraque já forçou mais de 3,3 milhões de pessoas a abandonar as suas casas. Em simultâneo, o país do Médio Oriente acolhe mais de 300 mil refugiados sírios.