O Estado Islâmico conseguiu provocar um duro revés para a coligação internacional liderada pelos EUA, ao conseguir tomar a cidade de Ramadi, no Iraque. A natureza deu uma ajuda: uma tempestade de areia dificultou a intervenção dos aviões de guerra norte-americanos, relatam os órgãos de comunicação norte-americanos, com base nos correspondentes locais.

O fenómeno natural impediu a coligação internacional de lançar ataques aéreos, o que obrigou as forças iraquianas, que apoiavam, a fugir. O Estado Islâmico aproveitou para pôr no terreno uma série de carros-bomba e lançar vários ataques terrestres. Conseguiu tomar a cidade, não sem provocar um banho de sangue.

Os combates travados entre o EI e os iraquianos tornou também difícil aos pilotos aliados conseguir distinguir o inimigo, segundo reconheceram as próprias autoridades.  

A tempestade de areia acabou por ter um efeito neutralizador. A situação deixou patente, também, as limitações do arsenal aéreo dos EUA, bem como as fraquezas do exército iraquiano.


                                           (Ramadi, Iraque. Foto: Reuters)

O Estado Islâmico também já tinha tirado partido, em janeiro, de uma tempestade de areia do género. A estratégia que utilizou foi lançar um ataque surpresa contra as forças curdas em Kirkuk enquanto o fenómeno natural decorria, mas não tinha tido resultados tão evidentes como desta vez.

“Estas são más notícias e também um atraso para o que esperávamos que fosse agora uma preparação de um contra-ataque contra Mossul, a maior e mais importante cidade em poder do Estado Islâmico”, reconhece o analista de defesa da Brookings Institution, Michael O’Hanlon.

O Pentágono também admitiu um “retrocesso”, mas garante que a cidade será reconquistada. A coligação internacional garantiu apoio aéreo, mas a aviação não tem chegado para travar o avanço do Estado Islâmico.
Bagdade teve, por isso, de pedir ajuda a milícias xiitas, vistas com desconfiança tanto pela população local, sunita, como por Washington, que vê nelas a mão do Irão no conflito. O exército e as milícias xiitas concentram-se agora a leste da cidade para tentar a reconquista.
 
Os líderes sunitas reclamaram publicamente a maneira como as tropas iraquianas se retiraram da cidade e duvidam da eficácia do armamento.
 
A fuga dos militares deixou dezenas de milhares de pessoas à mercê dos jihadistas e já começaram a chegar relatos de execuções. Cerca de 25 mil pessoas conseguiram fugir, mas necessitam de ajuda urgente. Clique na imagem para ver o vídeo:


                                           (Ramadi, Iraque. Foto: Reuters)

As Nações Unidas já avisaram que há pouca comida, água, medicamentos e que os fundos estão a acabar.
 
Por agora, Bagdade e cidade xiitas como Karbala, e outras controladas pelos curdos no norte estarão bem defendidas e fora do alcance do Estado Islâmico.

Certo é que a perda de uma cidade estrategicamente importante como Ramadi lança ainda mais dúvidas sobre os esforços do primeiro-ministro iraquiano, Haidar al-Abadi, para recuperar o controlo de uma guerra que está, dia-a-dia, a fragmentar o país.