A Ucrânia nunca reconhecerá a anexação da Crimeia, afirmou esta terça-feira um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros ucraniano, citado pela agência Interfax-Ucrânia.

Kremlin: Crimeia é parte da Rússia a partir de hoje

«Não reconhecemos e nunca reconheceremos a chamada independência e o chamado acordo sobre a integração da Crimeia na Rússia», disse Ievgen Perebinis, acrescentando que o acordo assinado «não tem nada a ver com democracia, primado da lei ou senso comum».

«A declaração de Putin demonstra claramente quão real é a ameaça da Rússia à segurança internacional», condenou ainda.

O presidente russo, Vladimir Putin, assinou hoje um tratado bilateral de união com o primeiro-ministro da Crimeia, Sergui Aksionov, e outros dirigentes da península, na presença dos membros das duas câmaras do parlamento russo, dos governadores e dos membros do governo russo.

O Reino Unido já reagiu ao anúncio de anexação do Kremlin, com a suspensão da cooperação militar entre os dois países, de acordo com o secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros.

William Hague adianta que esta medida inclui o cancelamento de um exercício militar já planeado entre as forças armadas francesa, russa, britânica e norte-americana e a suspensão da visita da Armada inglesa a São Petersburgo.

O governante garantiu, ainda, que o Reino Unido vai pressionar os líderes europeus para um pacote de sanções o mais duro possível à Rússia.

Também o primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, afirmou que a «anexação da Crimeia não pode ser aceite pela comunidade internacional».

«Isto muda as fronteiras da Ucrânia e a situação geopolítica nesta parte do mundo», assinalou Tusk numa conferência de imprensa conjunta com vice-presidente norte-americano Joe Biden, que se encontra em Varsóvia.

O vice-presidente dos EUA acusou a Rússia de «flagrante violação da lei internacional» na Crimeia.

«A Rússia arranjou um conjunto de argumentos para justificar o que não é mais do que uma usurpação territorial», sustentou Biden, numa intervenção em Varsóvia.

Na mesma declaração, Biden afirmou que Moscovo fez uma «incursão militar descarada», «impulsionou as tensões étnicas» no território ucraniano e está a fazer «um assalto contínuo à soberania da Ucrânia».