Com a imagem de milhares de pessoas nas ruas de Kiev entre defensores de um acordo com Bruxelas e os partidários da aliança com a Rússia, Moscovo desempata, pisca o olho e oferece um acordo que reduz o preço do gás vendido o país para um terço e ainda vai comprar dívida pública.

O coração ou a carteira dos ucranianos balança: ou Rússia ou União Europeia. Os velhos vizinhos ou a abertura ao ocidente. Vladimir Putin acenou com um grande presente de Natal.

A Ucrânia estava de mão estendida, precisava de um acordo para evitar a bancarrota, viesse ele de leste ou do ocidente. Um duelo interior entre defensores de uma aproximação à União Europeia e os eurocéticos.

Mas, o poder parece já ter tomado a decisão ao assinar o acordo «histórico» com Vladimir Putin, como classificou o primeiro-ministro ucraniano, Mykola Azarov, em declarações citadas pela BBC esta quarta-feira.

Azarov anunciou que o acordo alcançado permite estabilizar as finanças nacionais. Mas, a oposição desconfia e quer saber o que a Ucrânia ofereceu à Rússia em troca. Por isso, a oposição interna desafiou mais uma vez o poder para eleições.

O ministro dos Negócios Estrangeiros russo saiu esta quarta-feira em defesa do chefe ucraniano. Sergei Lavrov acusa o ocidente de «pressão».

A União Europeia suspendeu os trabalhos com vista ao acordo de associação com a Ucrânia, por causa da falta de um compromisso claro do Presidente Viktor Ianukovitch em assinar o documento.

Bruxelas anunciou à Ucrânia que a continuação das negociações dependia de um «compromisso claro para uma assinatura, mas não obteve qualquer resposta», declarou o comissário europeu para o Alargamento, Stefan Fuele numa mensagem no Twitter, no fim de semana.

O vacilar do Presidente em assinar o acordo com a União Europeia, em detrimento de uma aproximação à Rússia, tem vindo a originar manifestações de protesto na capital, Kiev, com milhares de opositores e apoiantes da decisão nas últimas semanas.