O primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, anunciou esta quarta-feira uma vasta remodelação governamental, afastando mais de metade dos seus principais ministros e nomeando 10 novos governantes, quando um escândalo de corrupção está a abalar o governo turco.

Após três ministros se terem demitido e de o primeiro-ministro se ter reunido com o Presidente da Turquia, Erdogan anunciou a substituição dos ministros do Interior, da Economia, do Ambiente, dos Assuntos Europeus, da Justiça, dos Transportes, da Família, do Desporto e da Indústria, e ainda o vice-primeiro-ministro.

Depois de os seus filhos terem sido presos ou detidos temporariamente acusados de vários crimes - como corrupção, branqueamento de capitais e tráfico de ouro - três ministros apresentaram a sua demissão, mas não sem fazer mossa no primeiro-ministro.

O ministro do Ambiente, Erdogan Bayraktar, chegou mesmo a aconselhar Recep Erdogan a demitir-se. Este governante diz que o primeiro-ministro lhe pediu para que se demitisse e que fizesse uma declaração de forma a retirar pressão sobre o governo, mas Bayraktar não gostou, recusou fazer a declaração e disse que Erdogan se devia demitir «para deixar a população mais confortável».

«Mandaram-nos dois documentos hoje - um para a nossa demissão e outro para a declaração pública. Claro que quero tornar as coisas mais fáceis para o meu partido. Mas acho que isto é errado», disse Bayraktar, cujo filho foi detido temporariamente.

Os ministros da Economia e do Interior, cujos filhos foram presos na sequência da investigação, também pediram a demissão esta quarta-feira.

Os filhos dos três governantes foram detidos numa ação policial que entre a lista de detidos incluiu o presidente de um banco público, vários burocratas e empresários conhecidos.

A investigação da procuradoria-geral de Istambul durou dois anos e conclui com acusações de corrupção, branqueamento de capitais, tráfico de ouro e de pagarem subornos.

Nas ruas, a polícia teve de usar gás lacrimogéneo para dispersar uma manifestação com cerca de 5.000 pessoas nas ruas de Istambul que exigiam a demissão do primeiro-ministro.