A queda nos «stocks» de farinha na Venezuela está a gerar solidariedade entre os padeiros portugueses, que desde dezembro último não recebem matéria-prima para fabricar o pão que comercializam diariamente nas padarias.

«Temos que nos ajudar uns aos outros. Mesmo com pouca farinha, esta manhã emprestei dois sacos para outra padaria, enquanto esperamos que nos abasteçam. Há alguns meses aconteceu que também não tinha e emprestaram-me», disse um padeiro português à agência Lusa.

Encarregado de uma padaria no município caraquenho de Libertador, José Martins explicou que perante esta situação optou por reduzir a produção de pão, oferecer menos variedade de pães aos clientes.

No entanto, o comerciante acrescentou que também faltam outras matérias-primas, como a margarina, açúcar e até fermento para os doces e pastéis que os clientes procuram.

Vários comerciantes portugueses explicaram à agência Lusa que algumas padarias optaram por racionar a quantidade de pães que cada cliente pode comprar, e muitos reduziram para metade o número de vezes que coziam pão ao longo do dia.

Algumas padarias de Caracas, como Peribeca, em Las Adjuntas (oeste) optaram por entregar senhas aos clientes, que chegam a esperar mais de duas horas para poder comprar pão.

Outras, como a Mansión del Pan, La Scala, registam quedas de 50 por cento nas vendas.

Segundo Juan Crespo, presidente da Federação Nacional de Trabalhadores da Indústria da Farinha, a descida dos «stocks» deve-se a atrasos, por parte do Governo, na atribuição de divisas para a importação de trigo, e à obtenção de peças para a reparação de moinhos, como conta a Lusa.