O Ministério Público britânico vai acusar de homicídio três seguranças de uma empresa privada pela morte em 2010 de um cidadão angolano durante a sua deportação.

Uma investigação realizada no ano passado concluiu que Jimmy Mubenga, de 46 anos, morreu devido ao uso de «força excessiva» por seguranças de uma empresa privada durante um voo da British Airways para Angola em outubro de 2010.

De acordo com a versão dos guardas, o angolano foi imobilizado no chão por ter tentado agredir um deles e o avião, que já se encontrava a aguardar autorização para levantar voo, anulou a descolagem porque o cidadão angolano já não respirava.

Mubenga foi conduzido ao hospital, mas morreu devido a um colapso cardiorrespiratório.

O piloto cancelou a descolagem quando o avião já se encontrava na pista do aeroporto de Heathrow.

A Procuradoria-Geral (Crown Prosecution Service, CPS) decidiu inicialmente não acusar os guardas, Terrence Hughes, de 53 anos, Stuart Tribelnig, de 38, e Colin Kaler, de 51.

Mas, num comunicado emitido esta quinta-feira, anunciou ter recolhido novas provas que justificam a reversão da decisão.

O CPS acrescentou, no entanto, que as provas não são suficientes para acusar a empresa de segurança privada, a G4S, de homicídio.

Segundo escreveu em outubro de 2010 o jornal britânico The Guardian, o processo de extradição arrastava-se há vários anos, depois de Mubenga ter sido condenado a dois anos de prisão por agressão física durante uma briga numa discoteca.

Os três guardas serão ouvidos num tribunal londrino a 7 de abril.