Tudo indicava que a Rússia e a Ucrânia tinham chegado esta quarta-feira a acordo para um «cessar-fogo permanente», mas não foi bem assim. A Rússia já veio esclarecer que há um entendimento sobre os passos a trilhar para a paz, não um cessar-fogo total.

«Foi alcançada uma compreensão mútua sobre os passos

que permitirão o estabelecimento da paz», era o que dizia o comunicado do Presidente ucraniano, Petro

Poroshenko, citado pela Reuters, que foi interpretado como fim do conflito.

Mas não: «Putin e Poroshenko realmente discutiram sobre medidas que contribuam para um cessar-fogo entre a milícia e as forças ucranianas. A Rússia não pode concordar fisicamente com um cessar-fogo, porque não é uma das partes do conflito», esclareceu o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, segundo a agência de notícias russa.

O Presidente dos EUA não parece estar muito convencido. Obama entende que «não há solução possível» enquanto a Rússia continuar a enviar tropas disfarçadas de separatistas para a Ucrânia.

Embora reconheça que o cessar-fogo é uma oportunidade, precisa de seguimento e «ainda é muito cedo» para dizer o que significam estas tréguas.

Obama prevê ainda que a comunidade internacional precisará de amparar a economia ucraniana no curto prazo.

Seja como for, o clima de aparente entendimento entre Kiev e Moscovo chega precisamente no dia em que parecia que a situação ia agravar-se, já que Putin anunciou um grande exercício nuclear ainda para este mês, em resposta à mobilização de uma força de ação rápida da NATO.

Tanto a Rússia como a NATO intensificaram as suas manobras militares desde a eclosão do conflito na Ucrânia. A NATO pretende pôr em prática uma força de reação rápida, sempre pronta a atuar, para monitorizar o conflito entre a Ucrânia e a Rússia. Precisamente com cerca de 4.000 soldados, com capacidades de atuar por ar, por mar ou por terra.

Vladimir Putin responde na mesma moeda. Já na semana passada, o Presidente russo tinha avisado que era melhor ninguém se meter com o país, frisando que a Rússia é uma das mais poderosas potências nucleares.

Tudo muda muito rapidamente, e os rebeldes pró-Rússia ameaçaram já hoje, ameaçaram destruir o sistema de transporte de gás para a Europa através da Ucrânia, informou o Conselho de Segurança do país.

Metade das exportações de gás russo para a Europa atravessam o território ucrâniano, incluindo a zona do leste do país agora nas mãos dos rebeldes.

Atualizada às 11:10 com reação de Obama