O rei Mohamed VI de Marrocos anulou este domingo o perdão real que tinha concedido a um cidadão espanhol condenado por abusos sexuais de menores naquele país e cuja libertação originou fortes protestos, anunciou hoje o Palácio Real.

Um comunicado divulgado pelo Palácio Real, citado pela agência de notícias marroquina MAP, refere que Mohamed VI de Marrocos «decidiu revogar o perdão [real] concedido a Daniel Galván Viña», que fora condenado em 2011 pelas autoridades marroquinas a trinta anos de prisão por abusos sexuais de 11 menores (com idades entre os quatro e os 15 anos).

A sua libertação na terça-feira da prisão de Kenitra, a 40 quilómetros a norte de Rabat, causou mal-estar e indignação tanto em Marrocos como em Espanha.

Apesar de o cidadão espanhol já ter deixado o território marroquino, segundo referem vários meios de comunicação daquele país, o Ministério da Justiça de Marrocos vai analisar com o governo de Espanha o que pode ser feito para emendar essa libertação, refere a mesma nota.

Mohamed VI de Marrocos ordenou na terça-feira a libertação de 48 espanhóis presos no país, acedendo ao pedido do rei Juan Carlos I, de Espanha, durante a sua visita a Rabat, por ocasião da Festa do Trono, a mais importante do calendário político marroquino e que comemora a coroação do rei, segundo informou o porta-voz do gabinete real.

Ainda na noite de sábado para domingo o rei de Marrocos tinha exigido uma «investigação aprofundada para determinar as responsabilidades e os erros que levaram a essa libertação infeliz».

Isto após, no sábado, a polícia ter sido obrigada a dispersar milhares de pessoas que se manifestaram na capital Rabat contar a libertação do cidadão espanhol e também depois de, em Espanha, a vice-secretaria geral do maior partido de oposição (PSOE), Elena Valenciano, ter exigido uma explicação «urgente» ao governo espanhol.

Em comunicado, o Palácio Real reiterou hoje que o monarca marroquino «não havia sido informado (...) da gravidade dos crimes hediondos, pelos quais a pessoa tinha sido condenada».

«É óbvio que o soberano jamais concordaria» que um homem condenado a trinta anos por abusos sexuais de menores «pudesse ser libertado», tendo em conta as «atrocidades monstruosas» que cometeu, acrescenta a nota oficial, citada pela agência noticiosa francesa AFP.

Apesar da revogação do perdão real, novos protestos estavam marcados para a noite de hoje nas cidades marroquinas de Meknés (centro) e Kenitra (noroeste), além das iniciativas de protesto que decorrem há vários dias em Casablanca e na capital Rabat.